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sábado, 14 de maio de 2011

Conheça um pica-pau que sumiu por 80 anos e está ameaçado de extinção


  • O pica-pau-do-parnaíba foi descoberto em 1926, na região do rio Parnaíba, e ficou 80 anos sem ser visto
    O pica-pau-do-parnaíba foi descoberto em 1926, na região do rio Parnaíba, e ficou 80 anos sem ser visto
Aquele pica-pau da TV, azul e com topete vermelho, certamente você conhece. Mas já ouviu falar do pica-pau-do-parnaíba? Ele não é tão conhecido, mas está bastante ameaçado. Para você ter uma ideia, os pesquisadores ficaram 80 anos sem ver nenhum animal desta espécie.
Com o nome científico de Celeus obrieni, a ave foi descoberta em 1926, em Uruçuí, no sul do Piauí, na região do rio Parnaíba. Ela não foi mais vista depois deste primeiro registro e até chegaram a pensar que estaria extinta. Até que um grupo de pesquisadores “redescobriu” o animal em 2006, em Goiatins, nordeste do estado do Tocantins.
Nativa do Cerrado, a espécie ainda foi encontrada nos estados de Goiás, Mato Grosso e Maranhão. Desde 2007, uma equipe de pesquisadores desenvolve um estudo sobre o pica-pau-do-parnaíba para descobrir seus hábitos e preferências, além de visitar as áreas onde o animal foi visto. Tudo isso é para conhecer melhor a ave e saber como protegê-la, já que ela está muito ameaçada de extinção.
  • Renato Pinheiro/Divulgação
    A ave já foi vista no Piauí, Tocantins, Goiás, Mato Grosso e Maranhão
  • Foto: Gabriel Leite/Divulgação
    Ela come formigas que vivem dentro de uma espécie de bambu do Cerrado
A pesquisa é realizada pela Fundação de Apoio Científico e Tecnológico do Tocantins, com o apoio da Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza. Renato Torres Pinheiro, responsável técnico pelo projeto, diz que ainda não é possível determinar o tamanho real da população do pica-pau-do-parnaíba no Brasil, mas sabe-se que é pequena.
“Estima-se que haja entre três e seis mil indivíduos da espécie, sendo que as maiores populações estão no estado do Tocantins, onde ainda se encontram as maiores extensões de Cerrado preservado”, explica Pinheiro.
O pica-pau-do-parnaíba alimenta-se quase que exclusivamente de formigas que vivem dentro das hastes da Guadua paniculata, uma espécie de bambu característica do Cerrado. “Apesar de ingerir mais de 20 espécies de formigas diferentes, ele seleciona apenas duas, que compõem 80% de sua dieta”, conta Pinheiro.
O pesquisador também diz que o fato do animal comer um tipo específico de alimento o coloca em risco ainda maior de extinção. “Em Goiás, por exemplo, a situação da espécie é bastante crítica, uma vez que mais de 65% da cobertura vegetal de Cerrado foi destruída no estado”.
A própria espécie contribui com a conservação do meio ambiente. Como a ave se alimenta exclusivamente de formigas, os cientistas acreditam que ela tem uma relação ecológica importante com este grupo, seja alimentando-se e controlando algumas espécies, seja furando as hastes de bambu e permitindo que outras espécies façam uso deste recurso.
No início do ano, a equipe do projeto viu o animal, pela primeira vez, em uma área protegida. A ave foi identificada em uma reserva particular do município de Minaçu, na região norte de Goiás. Em janeiro, os pesquisadores também iniciaram a procura de indivíduos da espécie para captura e marcação com radiotransmissores. Está prevista a marcação de cinco aves, para a identificação de hábitos de vida que ainda não foram registrados.
 Fonte: UOL

quinta-feira, 3 de março de 2011

Estaríamos vivendo a sexta extinção em massa de seres vivos?

Sexta extinção em massa
Agência FAPESP – Estima-se que cerca de 4 bilhões de espécies tenham vivido na Terra. Desse total que evoluiu no planeta nos últimos 3,5 bilhões de anos, nada menos do que 99% deixaram de existir.
O número pode impressionar, mas não envolve nada anormal e demonstra como a extinção de espécies é algo comum e equilibrado pela própria especiação, o processo evolutivo pelo qual as espécies se formam. Eventualmente, esse balanço deixa de existir quando as taxas de extinção se elevam. Em alguns momentos, cinco para ser exato, as taxas são tão altas que o episódio se caracteriza como uma extinção em massa.
Após as extinções em massa nos períodos Ordoviciano, Devoniano, Permiano, Triássico e Cretáceo – quando os dinossauros, entre outros, foram extintos –, cientistas apontam que a Terra pode estar se aproximando de um novo episódio do tipo.
Em artigo publicado na edição desta quinta-feira (3/3) da revista Nature, um grupo de cientistas de instituições dos Estados Unidos levanta a questão de uma eventual sexta extinção em massa. O artigo tem entre seus autores o brasileiro Tiago Quental, que durante a produção do estudo estava no Museu de Paleontologia da Universidade da Califórnia e desde fevereiro é professor doutor do Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo.
“Paleontólogos caracterizam como extinções em massa os episódios em que a Terra perde mais de três quartos de suas espécies em um intervalo geológico curto, como ocorreu apenas cinco vezes nos últimos 540 milhões de anos. Biólogos agora sugerem que uma sexta extinção em massa possa estar ocorrendo, por conta das perdas de espécies conhecidas nos últimos séculos e milênios”, disseram os autores.
O estudo analisou como as diferenças entre dados modernos e obtidos a partir de fósseis e a influência de novas informações paleontológicas influenciam o conhecimento a respeito da crise de extinção atual.
“Os resultados confirmam que as taxas de extinção atuais são mais elevadas do que se esperaria a partir [da análise] dos registros fósseis, destacando a importância de medidas efetivas de conservação”, afirmaram. Como exemplo, citam que, nos últimos 500 anos, das 5,5 mil espécies de mamíferos conhecidas pelo menos 80 deixaram de existir.
“Se olharmos para os animais em perigo crítico de extinção – aqueles em que o risco de extinção é de pelo menos 50% em três gerações ou menos – e assumirmos que seu tempo acabará e que eles sumirão em mil anos, por exemplo, isso nos coloca claramente fora do que poderíamos considerar como normal e nos alerta que estamos nos movendo para o domínio da extinção em massa”, disse Anthony Barnosky, curador do Museu de Paleontologia e professor da Universidade da Califórnia em Berkeley, principal autor do estudo.
“Se as espécies atualmente ameaçadas – aquelas classificadas oficialmente como em risco crítico, em risco ou vulneráveis – realmente se extinguirem, e se essa taxa de extinção continuar, a sexta extinção em massa poderá chegar tão cedo quanto de três a 22 séculos”, disse.
Entretanto, segundo os autores do estudo, não é tarde demais para salvar muitas das espécies em risco de modo a que o mundo não ultrapasse o ponto em retorno rumo à nova extinção em massa.
“Ainda temos muita biota da Terra para salvar. É muito importante que direcionemos recursos e legislação para a conservação de espécies se não quisermos nos tornar a espécie cuja atividade causou uma extinção em massa”, afirmou.

O artigo Has the Earth’s sixth mass extinction already arrived? (doi:10.1038/nature09678), de Anthony Barnosky e outros, pode ser lido por assinantes da Nature em www.nature.com.

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Batalhão Ambiental captura macaco ameaçado de extinção

Foto: Dionísio Neto
Na manhã desta sexta-feira (14), o Batalhão Ambiental capturou um primata brasileiro ameaçado de extinção, macaco cuxiu preto, segundo foi informado pelo Batalhão, o animal estava solto em Timon e os populares ligaram para  o órgão competente poder resgatá-lo. 

O bicho está no Parque da Cidade, no bairro Primavera, e será levado para o IBAMA. É um animal manso, e não apresentava nenhum machucado, provavelmente, foi abandonado ou fugiu de alguma residência. A multa para quem mantém um animal em extinção preso é de R$5.000,00.

O cuxiú-preto (Chiropotes satanas) é um primata de médio porte, altamente especializado na predação de sementes de frutos imaturos. Ocorre entre o rio Tocantins até a divisa da floresta amazônica com o maranhão, e atualmente está listada pela IUCN como criticamente em perigo de extinção devido a caça e a perda e a fragmentação do seu habitat. Classificado como espécie vulnerável pela IUCN (1978) e em perigo pela USDI (1980).
Foto: Dionísio Neto