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domingo, 10 de abril de 2011

Cerrado perde em um ano área maior que cidade de SP e DF juntos

G1

Abrangendo a maior parte de Região Centro-Oeste e parte do Nordeste no Brasil, o Cerrado perdeu 7.637 km² de sua vegetação original entre 2008 e 2009, dados mais recentes disponíveis, detectados pelo Centro de Sensoriamento Remoto do Ibama. As informações foram anunciadas nesta quarta-feira (6) pela ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, em Brasília (DF), que também comentou os novos dados de desmatamento na Amazônia, de janeiro e fevereiro, levantados pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

O desmatamento no Cerrado equivale a uma área maior que a soma do tamanho do Distrito Federal, que tem 5.802 km², com o município de São Paulo, que tem 1.523 km². A área total do Cerrado é de 2.039.386 km².

Se consideradas as taxas médias anuais de desmatamento no Cerrado em anos anteriores, a devastação do bioma entre 2008 e 2009 caiu pela metade. Os dados mais antigos disponíveis, de 1994 a 2002, mostram derrubada média de 15.700 km² no bioma. Entre 2002 e 2008, a taxa média foi reduzida para 14.179 km², caindo para 7.637 km² entre 2008 e 2009.

O estado que mais desmatou o bioma no período foi o Maranhão, com 2.338 km² de área derrubada, seguido do Tocantins (1.311 km²), Bahia (1.000 km²), Mato Grosso (833 km²), Piauí (701 km²), Goiás (664 km²), Minas Gerais (534 km²), Mato Grosso do Sul (241 km²), São Paulo (7,5 km²) e, por último, Paraná, Distrito Federal e Rondônia, cada um com cerca de 1 km².

Os três municípios que mais desmataram foram Formosa do Rio Preto (BA), com 197,17 km²), Baixa Grande do Ribeiro(PI - 168 km²) e Jaborandi (BA - 131 km²).

A ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, também destacou o norte de Minas Gerais. "É uma das áreas mais sensíveis", disse ela. "Pedi que tudo que fundamenta estudos de conservação seja publicado".

Durante o evento em Brasília, também foram lançadas publicações que atualizam o mapeamento do uso do solo e da cobertura vegetal do bioma, além de estudos sobre a criação de reservas extrativistas na Barra do Pacuí e Buritizeiro, em Minas, e de planos de ação sobre prevenção e controle de queimadas e efeitos do fogo sobre comunidades no Cerrado.

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Rede Globo denuncia desmatamento da mata atlântica no PI

É um absurdo o governador, Wilson Martins, continuar com a destruição da nossa biodiversidade, especialmente, na região da Serra Vermelha. Pior ainda é manter o atual secretário de meio ambiente, Dalton Macambira.



Veja a reportagem na íntegra exibida pela Rede Globo de Televisão.

De todos os biomas brasileiros a mata Atlântica é o mais ameaçado. Tem apenas cerca de 7% de sua cobertura original. O desmatamento é proibido, mas no Piauí as carvoarias desrespeitam a lei.

JOSÉ RAIMUNDO

O Jornal da Globo inicia hoje a exibição da primeira reportagem da nossa participação no Globo Natureza, série que nasceu do sucesso do Globo Amazônia. Mas nosso olhar sobre problemas ambientais vai agora além da Amazônia. A reportagem desta segunda-feira (10) trata da destruição da Mata Atlântica no Piauí, para a produção de carvão



O som da motosserra é o que mais se ouve nas matas do sul do Piauí. Não sabem nem poupar o pobre jumento do peso excessivo.

Nos fornos sofrem os trabalhadores. Proteção, só a do capacete. Nada para suportar a fumaça e a alta temperatura. “É quente demais! Não tem outro trabalho, tem que fazer o que tem", conta o carvoejador Gisley Omélio.

E vai tudo pro fogo. Até as espécies ameaçadas de extinção. A produção oficial chega a dez mil toneladas de carvão por mês.


Mas segundo os ambientalistas, a mesma quantidade é produzida pelos fornos clandestinos.

Morro Cabeça no Tempo é o nome do município que concentra a maior parte das carvoarias.

Tem menos de cinco mil habitantes, é o menor da região e um dos mais pobres do Nordeste.

"Se você tivesse vindo aqui nos anos 90, o clima era outro, bem mais agradável, bem mais fresco, dava pra viver muito bem. E hoje a gente percebe que é muito quente", observa a professora Luzia Luz Neto.

As consequências já são visíveis. A maior lagoa da região encolheu 30%. Rios estão secando, nascentes desapareceram. Uma área, por onde o vaqueiro Claudionor Ribeiro passava todos os dias, era um brejo que matava a sede da boiada e do vaqueiro. Ele conta até onde chegava a água antes da seca dos rios. “Às vezes na capa da cela e quando ficava mais rasa, nas patas do cavalo. E a gente, se precisasse, só fazia abaixar na cela e beber”.

Na região da Serra Vermelha, de grande importância ambiental, três biomas se encontram no mesmo lugar: caatinga, cerrado e mata Atlântica.
De todos os biomas brasileiros a mata Atlântica é o mais ameaçado. Tem apenas cerca de 7% de sua cobertura original. Por isso, qualquer desmatamento é proibido, nenhuma árvore pode ser derrubada. Mas no Piauí as carvoarias desrespeitam a lei e com a conivência de quem deveria proteger a floresta.

Elas têm licença de funcionamento dada pela Secretaria Estadual do Meio Ambiente. Mesmo as instaladas dentro da mata Atlântica.

Ao Ibama cabe fiscalizar. O único escritório do órgão no local tem dois fiscais e uma área do tamanho do estado de Sergipe pra dar conta.

"Tem muita produção ilegal e o Ibama não dá conta. Dois servidores não dá pra fazer. Muito do consumo das grandes siderúrgicas chega lá como legal, mas de produtores ilegais que não estão licenciados a fazer carvão e fazem carvão e vendem para terceiros", fala o analista ambiental do Ibama Hamilton Cavalcanti Júnior.

A produção do Piauí - a legal e a ilegal - carrega cerca de 15 caminhões por dia. O carvão viaja quase dois mil quilômetros praticamente sem barreiras nas estradas.

O polo siderúrgico de Sete Lagoas, em Minas Gerais é o destino de todo o carvão que sai do Piauí. Muitos dos fornos - que produzem ferro gusa - se alimentam da destruição das matas nativas.

Das 61 indústrias que funcionam na região, menos de dez consomem carvão de procedência legal. Uma delas começou há 15 anos a plantar sua própria floresta. Só em uma fazenda tem 21 mil hectares de eucalipto.

"O mundo hoje está exigindo receber ferro gusa verde, de floresta plantada, que tem certificação de floresta plantada, o mundo hoje está exigindo isso", explica o diretor de empresa Antônio Tarcísio Andrade.

Para o sindicato das indústrias, a saída é a nova lei florestal do estado de Minas que vai obrigar as empresas a consumir carvão vegetal apenas de floresta plantada.

A nova lei mineira estabelece um prazo: a partir de 2017, 95% do carvão consumido pelas indústrias de ferro gusa deverão ser de floresta plantada. Até lá ainda vamos ouvir muito barulho de motosserra nas matas nordestinas.

A Secretaria Estadual de Meio Ambiente do Piauí não reconhece a área onde estão instaladas as carvoarias como mata Atlântica.

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Matéria da Rede Globo denuncia destruição da Suzano Papel Celulose


Izabel Maria Renosto, de Parauapebas, no Pará, ficou muito triste durante uma viagem na região leste do Maranhão ao ver a destruição das veredas para dar lugar ao plantio de eucalipto. Nossa reportagem foi ver de perto a situação e constatou que a preocupação de Izabel é também das comunidades tradicionais da região.

As veredas que Izabel Maria Renosto relatou ficam aqui na região do baixo Parnaíba, leste do Maranhão, e abrangem oito municípios. É uma área de mata nativa, típica do Cerrado brasileiro. As matas estão sendo derrubadas para dar lugar ao plantio do eucalipto.

Os pés de eucalipto vão ocupar uma extensão de 174 mil hectares. Uma parte dessas áreas pertence à empresa de siderurgia Margusa e a outra, à Suzano Papel e Celulose. Desde que as árvores nativas começaram a ser derrubadas, as comunidades tradicionais que vivem do cultivo de subsistência e do extrativismo do bacuri e do pequi estão preocupadas.

"Os correntões, quando passam, levam tudo. É também uma fonte de sobrevivência da gente, de tirar, de vender a polpa do bacuri. Nós não temos mais nada. Acabou. Está acabando com tudo e nós não sabemos o que fazer”, afirma Maria Lucia dos Santos Torres, presidente do Sindicato dos Trabalhadores de Urbano Santos.

A siderúrgica Margusa tem, no momento, um milhão de pés de eucalipto plantados que vão ser usados para carvão. O diretor vice-presidente, Leonídio Pontes da Fonseca, dá a posição da empresa. “Evidentemente, no que toca à Margusa, seus diretores não permitem, em hipótese alguma, que seus empreiteiros cortem madeiras que sejam protegidas pela lei em vigor”, diz.

A Suzano Papel e Celulose cultiva eucalipto no Maranhão há alguns anos, mas intensificou o trabalho nos últimos 18 meses devido à abertura de duas novas fábricas no Nordeste. De acordo com o projeto, vão ser cultivados 40 mil hectares de eucalipto, principalmente nos municípios de Santa Quitéria do Maranhão e Urbano Santos. Cerca de 40 famílias vivem no vilarejo rural de Ingá, no município de Urbano Santos. O antigo proprietário permitia à comunidade, além de explorar o bacuri e pequi, plantar também pequenas roças de milho, arroz e mandioca nas terras dele. Agora, a situação mudou. Os moradores reclamam que estão sem área para cultivar.

O lavrador José da Silva mostra a sua plantação de mandioca. “A última que nós estamos plantando, colhendo, é essa aqui plantada que o senhor está vendo. Quando nós tirarmos essa daqui, nós temos que procurar outro lugar, que aqui nós não podemos mais plantar”, diz.

Outra reclamação das comunidades é quanto à retirada da água dos riachos para irrigar as plantações de eucalipto. Em um vilarejo, em Santa Quitéria do Maranhão, 65 famílias reagiram para proteger o riacho Boa Hora.

“É cada um de nós, um ou dois ou três, vigiando, para quando eles passarem, para ver se eles se eles estão tirando ou não. E onde ele estiver tirando, nós temos que nos juntar e chegar até lá e dar um jeito: aqui vocês não vêm mais", diz o trabalhador rural Djalma Coimbra dos Santos.

A diretoria da Suzano Papel e Celulose não quis gravar entrevista, mas informou, por meio de nota, que cumpriu todas as determinações necessárias para conseguir as licenças de uso da água dos riachos. Nas situações em que alguma comunidade impediu o uso da água, a empresa disse que conversou com os moradores e que quase sempre conseguiu a liberação. A Suzano explicou ainda que entende e respeita a preocupação dos sertanejos e que sempre irá buscar opções operacionais que não comprometam as relações com a comunidade.

As licenças ambientais foram concedidas pela Secretaria Estadual de Meio Ambiente, mas o Ministério Público Federal no Maranhão contestou na justiça essas licenças.

“Nós entendemos que o empreendimento tem um impacto regional, que atinge mais de um estado. Atinge o estado do Maranhão, o estado do Piauí, ou pelo menos o rio Parnaíba que separa os dois estados, e que, por conta desse potencial de causa de impactos regionais, ele deve ser, na verdade, avaliado por uma entidade, digamos assim, que tenha atribuição nacional. No caso, o Ibama", afirma Alexandre Soares, procurador do MPF.

Na primeira instância, na Justiça Federal no Maranhão, o Ministério Público Federal perdeu a causa, mas o procurador Alexandre Soares recorreu da decisão e agora o processo corre no Tribunal Regional Federal da Primeira Região, em Brasília.

domingo, 6 de junho de 2010

Caatinga do Piauí na Globo no Dia do meio Ambiente

O fotojornalista André Pessoa foi um dos destaques nesse último sábado (05), Dia do Meio Ambiente, no programa Globo Ação, apresentado por Sérgio Groisman. Ele fechou o programa com um depoimento e imagens especiais da caatinga do Piauí.