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domingo, 5 de junho de 2011

Ministério Público ingressa com ação civil pública contra licenciamento ambiental da fábrica da Suzano

A 30ª Promotoria de Justiça, com o auxílio do Centro de Apoio Operacional de Defesa do Meio Ambiente, ingressou, no último dia 24 de maio, com Ação Civil Pública junto à Justiça Federal em desfavor da empresa Suzano Papel e Celulose S.A, Estado do Piauí e IBAMA a fim de obter, em sede de tutela antecipada, que seja determinada a suspensão imediata do licenciamento ambiental da Unidade Industrial de Produção de Celulose e Papel da Suzano S.A no Estado do Piauí pela Secretaria Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (SEMAR) até decisão final, e que seja declarado o IBAMA como o órgão ambiental responsável pelo licenciamento ambiental da Unidade Industrial, em face dos impactos ambientais regionais do empreendimento.

No mérito, requereu, em síntese, que: a) seja declarado o IBAMA como o órgão ambiental responsável pelo licenciamento ambiental da Unidade Industrial de Produção de Celulose e Papel da Suzano S.A no Estado do Piauí, em face dos impactos ambientais regionais do empreendimento; b) sejam declaradas nulas quaisquer licenças ambientais eventualmente concedidas pela Secretaria Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos – SEMAR em favor do empreendimento; c) seja determinado ao IBAMA que assuma o licenciamento ambiental do empreendimento; d) seja determinado à empresa Suzano Papel e Celulose S.A a complementação do Estudo de Impacto Ambiental (EIA/RIMA), a fim de delimitar a Área de Influência Direta (AID) e os impactos ambientais aptos a alcançarem municípios no Estado do Maranhão, bem como complementar as informações prestadas, conjugando os possíveis impactos ambientais a serem gerados ou agravados pela implantação do Aproveitamento Hidrelétrico Castelhano, no município de Palmeirais, assim como os demais Aproveitamentos Hidrelétricos a serem implantados no Município de Ribeiro Gonçalves, Uruçuí, Amarante e Floriano; e) seja determinado ao IBAMA a realização de novas Audiências Públicas nos Municípios atingidos pelos impactos ambientais do empreendimento, nos Estados do Piauí e Maranhão.

O ingresso com a citada Ação Civil Pública foi motivado por constatações de ordem técnica que levaram o Órgão Ministerial a pugnar para que a responsabilidade pelo licenciamento ambiental do empreendimento Suzano Papel e Celulose S.A seja conduzido pelo IBAMA, e não pela SEMAR, uma vez que os impactos ambientais diretos ultrapassam os limites territoriais do Estado do Piauí, pois os efluentes gerados pela fábrica, mesmo que tratados, serão diretamente lançados no Rio Parnaíba. Em caso de acidente ambiental provocado pela indústria, as conseqüências do dano incidirão sobre toda a população a jusante da unidade fabril, portanto sobre aqueles que vivem no Piauí e no Maranhão.

Frise-se que houve também a participação do MPF na interposição da ACP, em litisconsórcio ativo.

Texto: Centro de Apoio Operacional de Defesa do Meio Ambiente
Edição: Assessoria de Imprensa ( imprensa@mp.pi.gov.br )

quinta-feira, 5 de maio de 2011

Debate na UFPI sobre o RIMA da unidade fabril da Suzano Papel

O debate acontece hoje às 14:30, no Núcleo de Referência em Ciências Ambientais do Trópico Ecotonal do Nordeste - TROPEN, e será apresentado pelo gerente de Meio Ambiente e Qualidade da Suzano, Eraldo Cordeiro, que fará uma apresentação institucional da empresa e pelo coordenador do EIA/RIMA e funcionário da Poyry, Kleib Fadel, responsável pela apresentação técnica. A Poyary foi a empresa que realizou o estudo ambiental da instalação da fábrica no Piauí.

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Quem é a Suzano e por que o Maranhão?

O Maranhão e Piauí vêm passando por um momento de “revolução industrial” com a aclamada instalação de unidades fabris da Suzano – Papel e Celulose, maior indústria do seguimento no país. A Suzano espera que essas unidades entrem em funcionamento nos anos de 2013 a 2014 respectivamente.

Por trás dessa suposta oportunidade de renda e melhoria para as famílias, esconde-se uma realidade perturbadora e preocupante. Fatos que serão demonstrados nessa matéria, resultante de uma vasta coleta de dados feita nos mais diversos meios de comunicação do país.

CHEGADA AO MARANHÃO - se deu devido o baixo preço da terra, como mostra a manchete “TERRENO BARATO LEVA SUZANO PARA MARANHÃO E PIAUÍ”. A matéria foi publicada na página do Monitor Mercantil, (Veja AQUI) em março do ano passado. No Maranhão a Suzano tem disponíveis 75% das terras previstas para utilização. Os investimentos previstos giram em torno de U$ 100 milhões.

PREJUÍZOS DA SUZANO - no ano de 2008, um ano antes de começar a se instalar no Maranhão, o faturamento da Suzano foi de R$ 4 bilhões, mas a empresa passou por uma pequena redução em seu caixa de giro fechado em R$ 437 milhões.

Nesse mesmo ano a Suzano teve um prejuízo de R$ 451 milhões. Segundo a empresa, a queda no faturamento se deu devido à variação cambial de 32%. O prejuízo da empresa foi maior que sua movimentação em caixa.

Ainda em 2008 a divida líquida da indústria alcançou R$ 5,459 bilhões. Um aumento de 24,5% em relação a 2007. Dados que sugerem um forte abalo financeiro na companhia. (Veja AQUI).

INSTALAÇÃO DE UNIDADE FABRIL - para se instalar em nosso estado a indústria teve que recorrer ao BNDES, Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, para fazer um empréstimo no valor de R$ 2,7 bilhões, a serem pagos no prazo total de 138 meses. A Suzano teve que recorrer ao governo Federal, ou seja, nosso dinheiro, para poder dar início a seu novo e audacioso projeto. (Veja AQUI)

VENDAS DE TERRAS BRASILEIRAS A ESTRANGEIROS - com o rombo sofrido no ano anterior, além do empréstimo solicitado ao BNDES, a empresa teve que recorrer a outras medidas, dentre as quais a venda de terras do nosso país a investidores estrangeiros. O valor dos ativos florestais localizados no estado de Minas Gerais, alcançou o total de R$ 311 milhões. Cerca de 50 mil hectares de terra Brasileira, entregue a dois grupos estrangeiros o Haunos, do Reino Unido, e RMK, dos Estados Unidos. A conclusão da milionária transição que visou REFORÇAR o caixa da empresa, acontecerá no primeiro semestre desse ano. (Veja AQUI).

Pelo que se ver, ao primeiro sinal de furo em seu caixa a Suzano adere à venda imediata das nossas terras, e pergunto se há algum fator que possa provar que aqui ocorra o contrário. Estou certo?

Será que todas as terras “compradas” no Maranhão a baixo custo, um dos principais atrativos para a instalação da indústria, não serão no futuro entregues a grupos estrangeiros, em troca de milionárias negociações?

As terras comercializadas em Minas Gerais serão usadas para o plantio e comercialização de madeira. Terras que poderiam ser usadas para produção de alimentos, irão tornar-se em forno a lenha, capitalista.

GRILEIRA DE TERRAS - na publicação intitulada “O papel sujo da Suzano no Baixo Parnaíba Maranhense”, publicada no blog Territórios Livres do Baixo Parnaíba Maranhense, a Suzano aparece como uma verdadeira “grileira” de terras, expulsando famílias e denominando-as de invasoras, em municípios como Santa Quitéria e Anapurus. Famílias que ocupam áreas há mais de 100 anos, e que agora ficarão sem terra para sua subsistência. Mais esse assunto será tratado com mais cautela noutra oportunidade. (VejaAQUI).

ESTRAGOS DA SUZANO – as áreas adquiridas pela indústria são sempre planícies, sobrando aos pequenos agricultores morros e encostas. O plantio de leguminosas, arroz, milho e outros cultivos, são inviabilizados. Aos poucos o sertanejo vai perdendo suas terras e seu direito de viver. Sem falar na degradação de mananciais, sugados ao extremo para irrigação dos plantios. O abastecimento de muitas comunidades está prejudicado.

Por fim, em meio a tantas situações controversas e que põem em dúvida a seriedade e transparência dessa tão “importante” indústria, cito um pequeno trecho de uma matéria publicada no site do Globo Rural que diz: “As licenças ambientais foram concedidas pela Secretaria Estadual de Meio Ambiente, mas o Ministério Público Federal no Maranhão contestou na justiça essas licenças.” (Veja AQUI).

Grilagem Suzano de terras

A matéria intitulada “Quem é a Suzano e por que o Maranhão?”, publicada recentemente no blog Territórios Livres do Baixo Parnaíba (releia AQUI), ganhou repercussão em várias páginas, dentre as quais, grandes veículos da capital São Luís e outros estados.

Nesse primeiro momento dessa minuciosa abordagem do “papel da Suzano” no baixo Parnaíba, fiz uma análise sobre a indústria, tornando lucido os reais motivos de sua chegada ao Maranhão, e levantando situações e fatos que colocam em dúvida suas operações no mercado.

Agora vêm à tona situações um tanto inusitadas e que demonstram com provas, a verdadeira grilagem de terras da Suzano no Maranhão, especificamente na região do Baixo Parnaíba, através de um dos seus principais canais de operação, a empresa Comércio Agrícola Paineiras Ltda.

Vamos começar falando sobre as artimanhas utilizadas pela Suzano para conseguir os “seus” milhares de hectares de terra que deixam como principal vítima o pequeno agricultor, coloca em dúvida o futuro de nossa agricultura e lesa pessoas.

Temos em mãos um memorial descritivo de imóvel rural localizado no município de Anapurus-MA, executado e recolhido pela própria Paineiras, ação que cabe ao estado. O Documento foi dado como legal em cartório daquele município, sob matrícula de N° 869 e nele podemos destacar a seguinte situação:

“Área com 3.741, 3294 há, é constituída de 1.877, 730 há de área particular, sendo que o restante com 1.863, 6264 há tratam-se de terras devolutas”
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A informação que também pode ser conferida no recorte de imagem acima deixa claro que a Suzano, por meio da Comercial e Agrícola Paineiras, pertencente ao grupo, formula um memorial descritivo e ainda apropriasse de maneira indébita de áreas devolutas, áreas que pertencem ao estado.

Estima-se que cerca de 70% das terras adquiridas pela Paineiras no Maranhão tenham origem irregular, algo que merece séria atenção do Ministério Público.

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A prova dessa ação está na própria certidão entregue ao cartório em 19/11/2001 pela empresa. Veja acima e observe em destaque o número de controle, que por si só elimina qualquer dúvida pertinente.

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Mas, ainda há muito a ser abordado, como por exemplo, as supostas compras de terras de pessoas que declaram nunca terem tido tais patrimônios. Um desses é Leudson da Costa Viana, lavrador, domiciliado no município de Santa Quitéria-MA.
A suposta compra da propriedade de áreas de 154.2648 hectares, localizada no município de Anapurus-MA, foi registrada em cartório daquele município no dia 18 de junho de 2010. Leudson teria recebido o valor de R$ 2.005,44, o problema é que ele mesmo declarou em cartório não possuir tal propriedade, muito menos ter residido no município de Anapurus. Veja:
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O pior é que a empresa tem em mãos um título de domínio do ITERMA de origem suspeita e que atenta para uma falsificação, em que Leudson aparece como proprietário da referida propriedade. O documento aparece como registrado no cartório de registro de imóveis do município de Anapurus-MA , sob matrícula de N° 869. Veja:
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Antes de tudo reparem que a matrícula N° 869, que surge a partir da formulação e recolhimento de um memorial criado pela própria empresa, pode ser descrita como a mãe dessas transações duvidosas que aqui estão sendo abordadas.

Voltando a situação de Leudson, observem um importante detalhe. No topo da imagem está expresso o número de ordem desse título de domínio, 006205. Ao consultar esse número no ITERMA, veja o que descobrimos:
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O número de ordem está em nome de outra pessoa, Maria de Jesus Araújo, proprietária de uma área correspondente a 506,00m², no povoado Buriticupu, localizado em Santa Luzia-MA.

Pergunto: - é possível a governadora do estado, Roseana Sarney, assinar um documento como esse?

- por que Leudson declararia não deter posse da referida terra, se tudo estivesse devidamente correto?

A situação se repete com o senhor Domingos Nascimento Silva, suposto proprietário da fazenda São Carlos, com sede em Anapurus-MA.

A escritura pública de compra e venda foi também registrada em cartório no município citado em 30/11/2001, sob matrícula de N° 870. A área corresponde a 194.78,86 hectares de terra.
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 Vamos novamente à certidão apresentada pela empresa, a qual seria fornecida pelo ITERMA, “legitimando” a ação.
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As contradições já são notórias a começar pelo número da matrícula no cartório de Anapurus, antes 870, agora 869. Alguém pode explicar?

Vamos ver então o número de ordem que consta no suposto título de domínio fornecido pelo ITERMA, N° 006202. Analisando novamente veja:

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O número do documento corresponde a uma área localizada novamente no município de Santa Luzia-MA, povoado Buriticupu e está em nome de Maria Aparecida Ribeiro dos Santos. O lote de terra é de apenas 66,00m². As duas situações deixam claro o grave crime de estelionato cometido pela indústria em nossa região. Apenas um dos vários que iremos mostrar com o passar dos dias.

As duas situações tornam-se ainda mais graves com o fato da comprovada falsificação de assinaturas da governadora do estado Roseana Sarney. Crime de estelionato.
Encerrando essa matéria cito a certidão registrada no cartório de Anapurus em 09 de julho de 2010, que pede o cancelamento do título em questão, até então sobre posse de Empresa Comercial e Agrícola Paineiras Ltda, vulgo Suzano grileira de terras.

Para ampliar clique na imagem
Essa é a forma utilizada pela Suzano para tirar os verdadeiros poceiros de suas áreas, utilizando esses documentos irregulares.

Antenor Ferreira

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Matéria da Rede Globo denuncia destruição da Suzano Papel Celulose


Izabel Maria Renosto, de Parauapebas, no Pará, ficou muito triste durante uma viagem na região leste do Maranhão ao ver a destruição das veredas para dar lugar ao plantio de eucalipto. Nossa reportagem foi ver de perto a situação e constatou que a preocupação de Izabel é também das comunidades tradicionais da região.

As veredas que Izabel Maria Renosto relatou ficam aqui na região do baixo Parnaíba, leste do Maranhão, e abrangem oito municípios. É uma área de mata nativa, típica do Cerrado brasileiro. As matas estão sendo derrubadas para dar lugar ao plantio do eucalipto.

Os pés de eucalipto vão ocupar uma extensão de 174 mil hectares. Uma parte dessas áreas pertence à empresa de siderurgia Margusa e a outra, à Suzano Papel e Celulose. Desde que as árvores nativas começaram a ser derrubadas, as comunidades tradicionais que vivem do cultivo de subsistência e do extrativismo do bacuri e do pequi estão preocupadas.

"Os correntões, quando passam, levam tudo. É também uma fonte de sobrevivência da gente, de tirar, de vender a polpa do bacuri. Nós não temos mais nada. Acabou. Está acabando com tudo e nós não sabemos o que fazer”, afirma Maria Lucia dos Santos Torres, presidente do Sindicato dos Trabalhadores de Urbano Santos.

A siderúrgica Margusa tem, no momento, um milhão de pés de eucalipto plantados que vão ser usados para carvão. O diretor vice-presidente, Leonídio Pontes da Fonseca, dá a posição da empresa. “Evidentemente, no que toca à Margusa, seus diretores não permitem, em hipótese alguma, que seus empreiteiros cortem madeiras que sejam protegidas pela lei em vigor”, diz.

A Suzano Papel e Celulose cultiva eucalipto no Maranhão há alguns anos, mas intensificou o trabalho nos últimos 18 meses devido à abertura de duas novas fábricas no Nordeste. De acordo com o projeto, vão ser cultivados 40 mil hectares de eucalipto, principalmente nos municípios de Santa Quitéria do Maranhão e Urbano Santos. Cerca de 40 famílias vivem no vilarejo rural de Ingá, no município de Urbano Santos. O antigo proprietário permitia à comunidade, além de explorar o bacuri e pequi, plantar também pequenas roças de milho, arroz e mandioca nas terras dele. Agora, a situação mudou. Os moradores reclamam que estão sem área para cultivar.

O lavrador José da Silva mostra a sua plantação de mandioca. “A última que nós estamos plantando, colhendo, é essa aqui plantada que o senhor está vendo. Quando nós tirarmos essa daqui, nós temos que procurar outro lugar, que aqui nós não podemos mais plantar”, diz.

Outra reclamação das comunidades é quanto à retirada da água dos riachos para irrigar as plantações de eucalipto. Em um vilarejo, em Santa Quitéria do Maranhão, 65 famílias reagiram para proteger o riacho Boa Hora.

“É cada um de nós, um ou dois ou três, vigiando, para quando eles passarem, para ver se eles se eles estão tirando ou não. E onde ele estiver tirando, nós temos que nos juntar e chegar até lá e dar um jeito: aqui vocês não vêm mais", diz o trabalhador rural Djalma Coimbra dos Santos.

A diretoria da Suzano Papel e Celulose não quis gravar entrevista, mas informou, por meio de nota, que cumpriu todas as determinações necessárias para conseguir as licenças de uso da água dos riachos. Nas situações em que alguma comunidade impediu o uso da água, a empresa disse que conversou com os moradores e que quase sempre conseguiu a liberação. A Suzano explicou ainda que entende e respeita a preocupação dos sertanejos e que sempre irá buscar opções operacionais que não comprometam as relações com a comunidade.

As licenças ambientais foram concedidas pela Secretaria Estadual de Meio Ambiente, mas o Ministério Público Federal no Maranhão contestou na justiça essas licenças.

“Nós entendemos que o empreendimento tem um impacto regional, que atinge mais de um estado. Atinge o estado do Maranhão, o estado do Piauí, ou pelo menos o rio Parnaíba que separa os dois estados, e que, por conta desse potencial de causa de impactos regionais, ele deve ser, na verdade, avaliado por uma entidade, digamos assim, que tenha atribuição nacional. No caso, o Ibama", afirma Alexandre Soares, procurador do MPF.

Na primeira instância, na Justiça Federal no Maranhão, o Ministério Público Federal perdeu a causa, mas o procurador Alexandre Soares recorreu da decisão e agora o processo corre no Tribunal Regional Federal da Primeira Região, em Brasília.

sábado, 16 de outubro de 2010

MA/ PI: Quilombolas denunciam Barragens na Bacia do Parnaíba

Carta Denuncia*

Nós, comunidades quilombolas e entidades presentes à Mesa de Diálogo dos Direitos dos Territórios Quilombolas do Maranhão, reunidos em São Luis nos dias 23 e 24 de setembro do corrente ano, vimos por meio deste contestar e denunciar o processo de levantamentos e estudos sócio-ambientais realizados no EIA/RIMA dos aproveitamentos hidroelétricos da Bacia do Parnaíba, que compreende municípios dos Estados do Maranhão e do Piauí.

Ressaltamos que, em nenhum momento da elaboração desses estudos, as dezenas de comunidades remanescentes de quilombo, impactadas direta e indiretamente, existentes na área de influência do empreendimento foram consultadas, e nem sequer citadas nos presentes estudos.

Salientamos que a omissão das informações e a negação de manifestação das comunidades remanescentes de quilombos fere gravemente a Constituição Federal de 1988 e a Convenção nº 169 da Organização Internacional do Trabalho, que garante no artigo 6º:

“Ao aplicar as disposições da presente Convenção, os governos deverão:

a) consultar os povos interessados, mediante procedimentos apropriados e, particularmente, através de suas instituições representativas, cada vez que sejam previstas medidas legislativas ou administrativas suscetíveis de afetá-los diretamente;

b) estabelecer os meios através dos quais os povos interessados possam participar livremente, pelo menos na mesma medida que outros setores da população e em todos os níveis, na adoção de decisões em instituições efetivas ou organismos administrativos e de outra natureza responsáveis pelas políticas e programas que lhes sejam concernentes;”

A presente Convenção estabelece que as comunidades impactadas por projetos elaborados pelos governos deverão ser ouvidas, e se manifestarem livremente sobre tais projetos. As comunidades quilombolas existentes na área de influência do empreendimento NÃO FORAM, EM NENHUM MOMENTO, RELACIONADAS E/OU CONSULTADAS DURANTE A ELABORAÇÃO DO EIA/RIMA.

Portanto, denunciamos o modo como o Estado Brasileiro, através da CHESF, e a empresa responsável pela elaboração do EIA/RIMA, conduziram o processo de estudo, tornando invisíveis as dezenas de comunidades quilombolas existentes na área de influência dos projetos.

Requeremos que seja refeito o EIA/RIMA, incluindo as comunidades tradicionais e comunidades quilombolas afetadas, e que seja compreendido no Estudo de Impacto Ambiental, o inventário histórico e dos bens imateriais, além de elaborar os Laudos Antropológicos de todas as comunidades ali existentes.

Em virtude desses fatos, requeremos também que seja suspenso todo o processo de licenciamento e leilões dos aproveitamentos hidroelétricos.

Assinam esta Carta as comunidades quilombolas dos municípios de Bequimão, Brejo, Cajapió, Cândido Mendes, Chapadinha, Guimarães, Itapecuru-Mirim, Lima Campos, Magalhães de Almeida, Mata Roma, Matões, Mirinzal, Olinda Nova, Santa Quitéria, São Benedito do Rio Preto, São José de Ribamar, São Luis, São Luis Gonzaga, São Vicente de Ferrer, Serrano do Maranhão e Turiaçú (Maranhão) e São João do Piauí (Piauí). E as seguintes organizações presentes: CCN/MA, SMDH, ACONERUQ/MA, CONAQ, Fórum Carajás, MST/MA, da moradia, Terra de Preto, Conlutas, CECOQ/PI, Assembléia Nacional dos Estudantes Livres-ANEL e Quilombo Urbano

São Luís (MA), 24 de setembro de 2010.

[*] Documento elaborado na Mesa de Diálogo dos Direitos dos Territórios Quilombolas do Maranhão, realizado nos dias 23 e 24 de setembro de 2010, na Sede do CCN, em São Luís-MA

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

O EMBALO DA SUZANO : VENENO NAS CHAPADAS DE ANAPURUS, BAIXO PARNAIBA MARANHENSE

O EMBALO DA SUZANO : VENENO NAS CHAPADAS DE ANAPURUS, BAIXO PARNAIBA MARANHENSE

Dado o atual senso comum-bizarro que predomina no e domina o processo social e econômico no Brasil e, por emenda parlamentar, no Maranhão também, quem quer lucrar com seus projetos deve ir no embalo, seja embalado pelo canto das sereias ou dos cisnes que hipnotizam ou suavizam os ouvintes ou os dançantes, ou seja embalado na nova linha de papéis da Suzano Papel e Celulose.

"Os embalos de sábado a noite continuam" nas esferas locais, estaduais, regionais e nacionais e por essa razão a Suzano se cobre de razão ao cobrar do governo do Maranhão que as suas licenças de desmatamento na região Tocantina e na região dos Cocais disparem o mais rápido possível, senão ela vai disparar rapidamente para o estado Tocantins com sua fábrica de celulose, onde se obtém com mais facilidade as licenças ambientais.

As áreas, que a Suzano pretende desmatar ou já desmata no Baixo Parnaiba maranhense, cerca de 40 mil hectares em Urbano Santos, Anapurus e Santa Quitéria, foram sacramentadas no mês de maio de 2009 pela então secretária de meio ambiente Telma Travincas numa só canetada. Só mesmo a Suzano, a secretaria de meio ambiente do Maranhão e o Fórum em Defesa do Baixo Parnaiba sabem que essas licenças existem.

A sociedade civil, em sua maior parte, desconhece quem assinou e quais áreas serão desmatadas. Esse foi o teor da conversa em Currais, município de Mata Roma, e Campestre, município de Anapurus. O senhor Euclides, que toma conta de uma área do senhor Garreto, relatou que nada sabia de desmatamento da Suzano naquela parte da Chapada. O Maciel, seu neto, fora informado por acaso que tratores estavam parados na comunidade de Veredas prontos para o abate do Cerrado. A Suzano pouco informa. O senhor Valcimar informou que funcionários da Suzano deixaram pacotes de veneno na Chapada e quando chove esses pacotes explodem soltando veneno para todo lado. As pessoas que coletam bacuri e pequi na Chapada correm riscos desconhecidos, como frisou um dos netos do senhor Euclides.

A Suzano quer plantar 60 mil hectares de eucalipto na região tocantina e região sudoeste do Maranhão. A empresa bateu esse número faz tempo e devia estar preparada para as costumeiras contrariedades do licenciamento ambiental. Contudo, ela vai no embalo como acontece no Piaui onde o governo conseguiu que o Instituto Chico Mendes revisse as áreas de Mata Atlântica no estado.

Mayron Régis, assessor Fórum Carajás

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

O balão mágico do eucalipto no povo piauiense


Há duas maneiras rápidas do homem devastar a vida no planeta. A primeira são as bombas atômicas, e a segunda é desmatamento que é mais lento e doloroso. São tristes as cenas de norte a sul no Piauí, e é um absurdo ver a riquezas de nossas florestas serem destruídas para enriquecer ainda mais grandes os empresários, e também políticos corruptos. E nesse semana no Piauí nos deparamos mais uma vez com uma grande empresa que anuncia mais ar para a economia, não sei se é para o Piauí, mas creio que essa Oxygen (Oxigênio) venha para dar um verdadeiro balão nos piauienses com suas monoculturas de eucalipto, e roubar aquilo que a natureza levou milhares de anos pra se formar. Já não é demais ter uma Suzano na região para arrebentar com nossa a biodiversidade?

Eles anunciam e comemoram que a produtividade de eucalipto no Piauí é a segunda maior do Brasil e prometem investimentos milionários, mas esquecem que deveríamos comemorar mesmo em 2010 é o ano internacional da biodiversidade, a idéia foi uma iniciativa da Assembléia Geral das Nações Unidas, durante a COP-15, que pretendeu aumentar a conscientização da população para a importância da biodiversidade.

O Governo Federal e Estadual abrem as pernas para empreendimentos que não contribuem para a sustentabilidade, com ênfase para as monoculturas, especialmente a do eucalipto.

É inquestionável a importância da biodiversidade de uma floresta nativa comparada com simplicidade biológica da monocultura. O mais interessante é a forma irônica de como usam a palavra “reflorestamento” para a monocultura de eucalipto, a qual substitui as florestas nativas. Que graça tem olhar para milhares de árvores, uma igual a outra, realmente é o “deserto verde” como dizem por aí.

Situações parecidas não deram certo em outros estados, como é caso de São Paulo, com destaque para a pequena cidade de São Luiz do Paraitinga que foi arrasada recentemente pelas chuvas. O Tribunal de Justiça de SP suspendeu as atividades da Suzano Papel Celulose por detectar que o “plantio de eucalipto causa danos graves ao ambiente e o êxodo rural na área”. O mais interessante é que agora apareceu um empresário, Michael Biggs, filho de um do maiores ladrões do mundo, e ex-integrante do famoso Balão Mágico; anunciando um investimento vultuso na monocultura de eucalipto no norte do Piauí.

A sociedade inteira está atenta a questão das mudanças climáticas, e todos sabem que manter a floresta nativa em pé é uma das melhores saídas para tentar reduzir o aumento clima. O atual modelo está falido e desgastando nossas riquezas. É imprescindível políticas públicas urgentes para proteger o meio ambiente, e a sociedade precisa ainda de políticos comprometidos o suficiente com desenvolvimento sustentável para amenizar os efeitos da crise climática. Um estudo recente da Universidade de Minas Gerais, sobre o nordeste, aponta que o Piauí sofrerá um “encolhimento de 70,1%” das terras cultiváveis no estado por conta das mudanças do clima e mau uso do solo. O documento mostra também que teremos áreas inabitáveis.

A irresponsabilidade está diante dos nossos olhos e é ridículo ver a atuação do governo em aceitar tamanhos empreendimentos insustentáveis. E os piauienses vão levar um balão grande nessa história, quando perceberem que suas riquezas sumirão num passe de mágica.

Dionísio Neto
Jornalista Ambiental, estudante de Gestão Ambiental e coordenador de mobilização social da Rede Ambiental do Piauí - REAPI