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| Boqueirão da Serra Vermelha/ Foto: André Pessoa |
quinta-feira, 3 de março de 2011
Ministério Público Federal pede criação do Parque de Serra Vermelha
segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011
Considerações sobre a Mata Atlântica no Piauí e outros temas
domingo, 16 de janeiro de 2011
Rolling Stone traz matéria sobre devastação ambiental com Piauí em destaque
A edição brasileira da revista americana Rolling Stone, com sede em São Paulo e circulação nacional, traz em sua edição de janeiro um grande ensaio fotográfico sobre a destruição do meio ambiente no Brasil. Das 7 imagens utilizadas pela matéria, 4 delas foram feitas no Piauí.
Todas as fotos são de autoria do repórter André Pessoa e mostram a devastação da natureza em diversas regiões do Brasil, da Amazônia ao interior nordestino. A reportagem que é assinada pelo jornalista Maurício Monteiro Filho, traz o título: "Por Nossas Próprias Mãos", e mostra o vandalismo sofrido pela fauna e flora do país.
São imagens chocantes, publicadas em grande formato, de desmatamento, produção de carvão vegetal, queimadas, seca, transporte de madeira e outros crimes ambientais pelo Brasil afora.
Das 4 fotos que retratam o Piauí, duas delas foram feitas no Parque Nacional Serra da Capivara e mostram um gato-selvagem ameaçado de extinção e uma pintura pré-histórica que comprova o desaparecimento do veado-galheiro da caatinga.
As outras duas imagens mostram a catástrofe da falta d'água na zona rural do município de Guaribas, mesmo a cidade tendo sido escolhida como símbolo do programa Fome Zero, e as queimadas que se alastram pelo interior do Piauí sem o menor controle das autoridades ambientais.
"Nos últimos anos se tornou comum grandes veículos de comunicação do Brasil denunciarem o descaso com que o meio ambiente vem sendo gerenciado nos últimos 8 anos no Piauí", disse o ambientalista Francisco Soares, da Furpa. Apesar de tantas denúncias, ele explica que o secretário estadual de Meio Ambiente, Dalton Macambira, foi reconduzido ao cargo pelo atual governador Wilson Martins (PSB).
Somente nas últimas semanas a revista Época, os jornais Correio Braziliense e Folha do Meio Ambiente, ambos de Brasília, e o telejornal Jornal da Globo, da emissora carioca, dedicaram grandes espaços para escândalos ambientais que envolvem o secretário Macambira.
Por Nossas Próprias Mãos
| Total de fotos: 4 | ||
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Você vê mais fotos na edição 52, janeiro/2011
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quinta-feira, 13 de janeiro de 2011
ARTIGO: Céu à carvoaria
Que a natureza (sobre)viva como puder, porque das decisões ambientais oficiais se estará fadado a um futuro previsivelmente caótico, graças a esses homens do governo.
quarta-feira, 12 de janeiro de 2011
Jornal Diário do Povo "Desmatamento no Piauí ganha destaque nacional"
O Piauí foi tema da primeira reportagem da série "Globo Na-tureza". O repórter José Rai-mundo foi ao município, na região da Serra Vermelha, e conversou com pesquisadores e trabalhadores das carvoarias. Ele constatou que, perto dos fornos onde o carvão é queimado, a temperatura chega a 52º C. A reportagem afirma ainda que a Secretaria de Meio Ambiente não reconhece o local como Mata Atlântica e ressalta que o Ibama realiza uma fiscalização precária no local.
Pelo menos 10 toneladas de carvão são produzidas na região todos os meses. Essa seria a produção das carvoarias "legalizadas". A mesma quantidade sai dos fornos das carvoarias clandestinas, segundo os ambi-entalistas. "É quente demais! Não tem outro trabalho, tem que fazer o que tem", conta o carvoejador Gisley Omélio. A professora Luzia Luz Neto diz na matéria: "Se você tivesse vindo aqui nos anos 90, o clima era outro, bem mais agradável, bem mais fresco, dava pra viver muito bem. E hoje a gente percebe que é muito quente".
"As consequências já são visíveis. A maior lagoa da região encolheu 30%. Rios estão secando, nascentes desapareceram. Uma área, por onde o vaqueiro Claudionor Ribeiro passava todos os dias, era um brejo que matava a sede da boiada e do vaqueiro. Ele conta até onde chegava a água antes da seca dos rios. Na região da Serra Vermelha, de grande importância ambiental, três biomas se encontram no mesmo lugar: caatinga, cerrado e mata Atlântica.
De todos os biomas brasileiros a mata Atlântica é o mais ameaçado. Tem apenas cerca de 7% de sua cobertura original. Por isso, qualquer desma-tamento é proibido, nenhuma árvore pode ser derrubada. Mas no Piauí as carvoarias desrespeitam a lei e com a conivência de quem deveria proteger a floresta. Elas têm licença de funcionamento dada pela Secretaria Estadual do Meio Ambiente. Mesmo as instaladas dentro da mata Atlântica. Ao Ibama cabe fiscalizar. O único escritório do órgão no local tem dois fiscais e uma área do tamanho do estado de Sergipe pra dar conta", diz a reportagem.
A produção do Piauí - a le-gal e a ilegal - carrega cerca de 15 caminhões por dia. O carvão viaja quase dois mil quilômetros praticamente sem barreiras nas estradas. O polo siderúrgico de Sete Lagoas, em Minas Gerais é o destino de todo o carvão que sai do Piauí. Muitos dos fornos - que produzem ferro gusa - se alimentam da destruição das matas nativas.
Das 61 indústrias que funcionam na região, menos de dez consomem carvão de procedência legal. Uma delas começou há 15 anos a plantar sua própria floresta. Só em uma fazenda tem 21 mil hectares de eucalipto.
Para o sindicato das indústrias, a saída é a nova lei florestal do estado de Minas que vai obrigar as empresas a consumir carvão vegetal apenas de floresta plantada. A nova lei mineira estabelece um prazo: a partir de 2017, 95% do carvão consumido pelas indústrias de ferro gusa deverão ser de floresta plantada. Até lá ainda vamos ouvir muito barulho de motosserra nas matas nordestinas.
terça-feira, 11 de janeiro de 2011
Rede Globo denuncia desmatamento da mata atlântica no PI
segunda-feira, 10 de janeiro de 2011
Parada da Diversidade tematizará sustentabilidade ambiental

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010
Correio Brasiliense publica matéria sobre a Serra Vermelha
Publicação: 24/12/2010 08:00 Atualização: 24/12/2010 02:46
| Desmatamento na Serra Vermelha: árvores derrubadas para produzir carvão |
A polêmica
Apesar das irregularidades constatadas no projeto, o ponto mais discutido por quem trata do tema é o tipo de vegetação. Na decisão, a desembargadora Selene Maria de Almeida argumenta que metade da área ocupada pelo projeto da JB Carbon é recoberta por floresta estacional decidual, um remanescente da Mata Atlântica.
Sua proteção está amparada na Lei nº 11.428/2006, pelo Decreto nº 750/93 e pela resolução do Conselho Nacional de Meio Ambiente (Conama) nº 26/94. Selene cita como base para esta caracterização o mapa da vegetação do Brasil feito pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em 2004. “O governo do Piauí não aceita classificar aquela área como Mata Atlântica”, disse o presidente do ICMBio, Rômulo Mello. Segundo ele, o Ministério do Meio Ambiente solicitou ao Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nova pesquisa para tirar a dúvida. Mello garantiu que se os estudos comprovarem que há remanescente de floresta decidual no sul do Piauí, a preservação da mata voltará a sebr discutida.
"O animal mais precioso”
Senador eleito em outubro deste ano, o ex-governador do Piauí Wellington Dias (PT) nega interferência no processo em favor do projeto Energia Verde. “Não tenho nenhuma relação com a JB Carbon. As únicas áreas de baixão que tratei com a Secretaria do Meio Ambiente são aquelas habitadas há muitas décadas, algumas há mais de um século”. Para Dias, a preservação não pode prejudicar os pequenos agricultores e moradores da região. Ele defende que os nativos sejam preparados para conviver com a unidade de conservação, em vez de removidos para a criação do parque. “O animal mais precioso do planeta é o ser humano”, argumenta.
O ex-governador classifica a possibilidade da existência de floresta decidual do estado como “uma fantasia”. “Se é para fazer o parque, vamos fazê-lo. Mas um parque de Caatinga, pois é o que tem lá. Hoje, há uma grande luta para proteger esse bioma, que também está ameaçado”, disse o político. Ele garantiu ainda que a nova área de preservação terá toda estrutura necessária.
Crédito especial
Na noite de quarta-feira (22/12), o Congresso Nacional aprovou o repasse, por meio de crédito especial (PLN nº 39), de R$ 150 milhões para o Ministério do Meio Ambiente indenizar o governo do Piauí pela ampliação do Parque Nacional Serra das Confusões. O dinheiro entrará no orçamento do ICMBio para a aquisição de 299.600 hectares de terras públicas estaduais. No entanto, representantes da Fundação Rio Parnaíba (Furpa) dizem que o governo não tem o domínio desses terrenos. Segundo o presidente da Furpa, Francisco Soares, parte da área está ocupada por pequenos produtores e grileiros. Segundo o presidente do ICMBio, o montante só será repassado caso o governo do Piauí comprove a titularidade das terras.
quarta-feira, 22 de dezembro de 2010
Senado aprova crédito para ampliação da Serra das Confusões
terça-feira, 21 de dezembro de 2010
Ampliação de parque custa mais caro do que investimentos em Guaribas
A jornalista Tânia Martins, coordenadora da Rede, fez o levantamento de tudo que foi investido em infraestrutura no pequeno município piauiense. Os dados foram repassados para o jornal Folha do Meio Ambiente, de Brasília, que deve publicar matéria sobre esses dados na próxima edição.
Pelos levantamentos da REAPI, tudo que foi investido em infraestrutura (saneamento, pavimentação, construção de prédios públicos, estadas, entre outras obras), somam quase R$ 50 milhões. Estão inclusos na conta repasses dos Governos Federal e Estadual durante os dois mandatos do presidente Lula e do ex-governador Wellington Dias (PT).
Esses números são exclusivos de investimentos em infraestrutura, deixando de lado os benefícios repassados as famílias contempladas pelo programa Fome Zero. "Chegamos aos dados fazendo o levantamento das obras realizadas no município, e todas eles somadas não chegam aos R$ 50 milhões", disse o jornalista Dionísio Neto, também coordenador da REAPI.
O Parque da Serra das Confusões foi criado em 1998, quando o Estado doou à União uma área de 500 mil hectares. Os R$ 150 milhões que o Governo do Piauí deverá receber são uma compensação financeira pela área desapropriada para a ampliação do parque.
O principal crítica ao projeto é que as áreas ambientalmente mais ricas foram excluídas do plano de proteção, beneficiando carvoarias instaladas na região.
Fonte: Portal AZ
segunda-feira, 20 de dezembro de 2010
Serra Vermelha em Perigo
Governo manobra para manter projeto de carvão em Serra Vermelha. Esquema montado para conseguir R$ 150 milhões do governo para o MMA escondeu do Congresso crimes como grilagem de terras
Tânia Martins, de Teresina
13 de Dezembro de 2010
O novo enredo do caso Serra Vermelha, a última floresta do semi-árido nordestino, no Sul do Piauí, aponta para uma vitória dos políticos e empresários destruidores da natureza. Na última semana, uma comissão mista (Senado e Câmara) do Congresso Nacional aprovou crédito suplementar para o Ministério do Meio Ambiente, de R$ 150 milhões. Teoricamente o recurso seria destinado a pagamento de fazendeiros, políticos e empresários que dizem possuir terras nas proximidades do Parque Nacional Serra das Confusões, para ampliar o Parque Nacional Serra das Confusões. Mas, infelizmente, o sonho dos ambientalistas de salvar uma grande parte da vegetação nativa, caracterizada como um ecótono entre Cerrado, Caatinga e Mata Atlântica, vai ficar de fora. É o trecho de floresta que engloba o projeto Energia Verde.
"A beleza da biodiversidade contrasta com uma ocupação predatória arrancando a floresta para fazer carvão. Um crime ambiental, esta é a verdade!"
Biólogo Francisco Soares
O projeto foi montado na Secretaria Estadual do Meio Ambiente do Piauí (SEMAR), com o apoio do ex-governador Wellington Dias (PT) e a participação institucional do MMA, Ibama e ICMBio.
Dia 25 de novembro, durante a reunião do Conama, em Brasília, o biólogo Francisco Soares, presidente da Fundação Rio Parnaiba (Furpa), disse pessoalmente ao presidente do ICMBio, Rômulo Mello, que o Instituto havia prestado um desserviço à biodiversidade brasileira quando defendeu a permanência da empresa JB Carbon, na Serra Vermelha.
Para Francisco Soares, essa área é a mais rica do ponto de vista biológico, tudo comprovado por uma série de estudos técnicos e científicos. "No entanto - explica Soares - contrariando inúmeros relatórios técnicos de profissionais do próprio MMA e do ICMBio, através da Secretaria de Biodiversidade, o Instituto praticou uma irresponsabilidade dessas".
Moção de repúdio
Ainda durante a reunião do Conama, o representante da FURPA-Fundação Rio Paraíba apresentou uma moção de repúdio ao ICMBio e conseguiu a assinatura de todos os representantes da sociedade civil. Em sua resposta, o presidente Rômulo Melo tentou se justificar alegando que aprovou a permanência da empresa JB Carbon porque existe uma indefinição em relação à existência do bioma Mata Atlântica na região. Porém, sua tese foi derrubada em seguida por João de Deus, um técnico do próprio Ibama, que confirmou a presença da Mata Atlântica no mapa oficial do IBGE.
"Conseguimos desmoralizá-lo publicamente num espaço que reunia representantes de entidades ambientalistas do país inteiro", reafirma Francisco Soares, que diz ter ficado satisfeito com o resultado, mas muito decepcionado com o presidente Rômulo Melo que não conseguiu justificar a ampliação do Parque Nacional Serra das Confusões.
"Pelo mapa desenhado pela Semar está evidente a proteção à empresa que pode destruir um dos trechos mais importantes para a conservação da biodiversidade local". E mais grave de tudo isto, denuncia o biólogo: "As fazendas não valem R$ 150 milhões.
Os protestos não param. A comunidade ambientalista do Piauí está se movimentando para tentar impedir a consolidação dessa transação. ?Estamos pedindo uma intervenção federal no caso, inclusive por ser a área foco de grilagem de terras públicas?, informou o representante da Fundação Rio Parnaíba.
"Esse é um momento importante, pois a Polícia Federal está investigando a grilagem de terras na região e já realizou, inclusive, a prisão de dez pessoas envolvidas em casos de grilagem, entre eles políticos e até um juiz", garantiu o representante da Furpa.
Fonte: Folha do Meio Ambiente
domingo, 19 de dezembro de 2010
Vídeo sobre a Serra Vermelha
sábado, 18 de dezembro de 2010
Matéria de Revista Época sobre a Serra Vermelha
A pedido do presidente Lula, a comissão mista do Congresso aprovou um crédito de R$ 150 milhões para o Ministério do Meio Ambiente indenizar o governo do Piauí pela futura ampliação do Parque Nacional da Serra das Confusões, um dos maiores do país, no sul do Estado, com 502.000 hectares. Seria razoável supor que ambientalistas, ongueiros e outros defensores da natureza estivessem comemorando a decisão, pois a medida deverá incorporar 336.000 hectares aos limites atuais da Serra das Confusões. A iniciativa, porém, tem causado muito mais revolta que festa. O motivo é que uma região próxima, ambientalmente mais rica, preservada e sob ameaça de devastação, a Serra Vermelha, foi excluída do plano de proteção.
A Serra Vermelha é uma área de transição entre o Cerrado e a Caatinga com remanescentes de Mata Atlântica, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A imagem acima, do fotógrafo e ambientalista André Pessoa, mostra um de seus trechos: um cânion com paredões forrados por um manto verde ainda fechado. A região, a última floresta preservada do Semiárido, é objeto de estudos e, desde os anos 80, empreendem-se campanhas por sua proteção. Tem ainda, segundo os pesquisadores, a maior biodiversidade do Nordeste. Em fevereiro de 2006, o Conselho Nacional do Meio Ambiente solicitou levantamentos técnicos para a transformação da Serra Vermelha em parque nacional. Entre as justificativas mencionou a presença de “importantes mananciais e grande diversidade biológica” e alertou sobre a atuação de grileiros em trechos que pertencem à União e ao Piauí. Todas essas considerações foram deixadas de lado na ampliação da Serra das Confusões.
De acordo com Dionísio Carvalho Neto, da ONG Rede Ambiental do Piauí, a principal ameaça à Serra Vermelha são as carvoarias. Há alguns anos, com uma licença antiga do Ibama, a empresa JB Carbon instalou 300 fornos num trecho da Serra Vermelha. Depois de derrubar uma parte da mata, a empresa foi denunciada numa reportagem da TV Globo e teve suas atividades embargadas por decisão da Justiça Federal. Apesar de recursos contra o embargo já terem sido negados, a decisão pode ser mudada a qualquer momento. Na proposta de ampliação da Serra das Confusões, a área reivindicada pela JB Carbon para a produção de carvão, 78.000 hectares, ficou fora dos limites do parque.
Outro fato que tem causado polêmica na ampliação da Serra das Confusões é o pagamento de R$ 150 milhões ao Piauí. Indenizações a proprietários particulares que comprovem presença regular em terras desapropriadas são comuns. Mas desde 1937, quando foi criado o primeiro dos mais de 70 parques nacionais, essa é a primeira vez que um Estado da Federação recebe pela desapropriação. Outro fato incomum é o pagamento antecipado. As indenizações a particulares costumam demorar anos para sair, pois dependem de comprovações de posse nem sempre claras ou confiáveis.
Segundo o presidente do Instituto Chico Mendes (ICMBio), Rômulo Mello, a operação foi uma forma de compensar um Estado pobre. “O governo local disse que queria leiloar a área para expansão agrícola. Foi uma negociação muito intensa. E foi aí que chegamos ao acordo da indenização.” Teme-se, porém, que a iniciativa abra precedente para que outros Estados reivindiquem indenizações retroativas.
No documento em que o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, explica a Lula as razões do aporte de R$ 150 milhões está escrito que o dinheiro será entregue ao governo do Piauí. Em declarações à imprensa local, porém, o secretário do Meio Ambiente do Piauí, Dalton Macambira, já disse que parte da indenização seria destinada a proprietários particulares da região. O documento assinado por Paulo Bernardo é usado pelos ambientalistas como prova da falta de cuidado técnico do governo na ampliação da Serra das Confusões. Bernardo diz que a área da ampliação precisa ser protegida da exploração do “carvão mineral”. Mas esse é um tipo de atividade praticamente inexistente no Brasil. O carvão usado na região é “vegetal”, para abastecer siderúrgicas. E a área mais ameaçada por esse carvão é justamente a que ficou fora da ampliação.
Macambira questiona a ocorrência de Mata Atlântica na região excluída da ampliação. “Não há estudo que comprove isso”, diz. “O mapa do IBGE (sobre Mata Atlântica) é um absurdo.” Segundo ele, uma parte da Serra Vermelha não entrou no plano de ampliação “para não prejudicar alguns municípios que ficariam totalmente dentro do parque, o que prejudicaria os trabalhadores rurais e o extrativismo”.
Rômulo Mello, do Instituto Chico Mendes, diz que o governo solicitou ao IBGE um refinamento de seus estudos para determinar se a Serra Vermelha excluída da ampliação é mesmo ocupada por Mata Atlântica. “Essa ampliação que ficou acertada foi a proposta possível. Nem sempre a gente consegue tudo”, diz ele. “Se for possível, voltaremos a fazer uma nova ampliação no futuro.” A confusão em torno da Serra das Confusões promete continuar.
quarta-feira, 24 de novembro de 2010
Governo tenta vender Serra Vermelha omitindo área da JB Carbon

segunda-feira, 8 de março de 2010
Ex-ministra faz críticas ao Governo do Piauí
quinta-feira, 4 de março de 2010
GOVERNO PLANEJA TERMOELÉTRICA NO PIAUÍ
Por André Pessoa
A portas fechadas, longe dos holofotes da grande mídia e do discurso eleitoral do PT, o Governo do Piauí se mobiliza e pode ver aprovado nos próximos meses a instalação de uma termoelétrica na área da Serra Vermelha, no sul do estado, aonde resiste uma das mais importantes formações florestais do Nordeste. Denominada de Redenção Bioenergética da multinacional européia Tractebel Energia S.A., a ideia seria melhorar o abastecimento de energia elétrica da microrregião de Bom Jesus do Gurguéia, que tem grandes projetos agropecuários, utilizando carvão vegetal para mover a usina, uma das mais atrasadas e ecologicamente condenáveis formas de se produzir energia.
Para isso, a Secretaria Estadual do Meio Ambiente sob a coordenação de Dalton Macambira, quer aprovar o retorno do projeto Energia Verde, de suposto manejo florestal, da empresa carioca JB Carbon, que foi acusada de grilagem de terras e tem planos para derrubar 78 mil hectares da mata nativa de caatinga para produção de carvão num bioma que é exclusivo do Brasil, extremamente ameaçado e apontado pela Conservation International como um dos últimos 38 lugares selvagens da Terra.
“Pelo projeto em andamento nos bastidores do governo, a empresa deixa de fora áreas com comprovada ocorrência de mata atlântica devido a grande repercussão internacional das ameaças a esse ambiente e engloba outros trechos de florestas nativas de caatinga, adquiridas na própria região novamente de forma suspeita” denuncia o presidente da Fundação Rio Parnaíba, Francisco Soares, que também é membro do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama), um órgão da sociedade civil que auxilia o Ministério do Meio Ambiente nas políticas de conservação.
Apesar da Justiça Federal ter paralisado o empreendimento através de uma série de ações, além do governador Wellington Dias e do ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, a manobra envolve diretamente os secretários estaduais Dalton Macambira, do
Meio Ambiente, e Sérgio Vilela, de Relações Internacionais, além do superintendente do Ibama no Piauí, Romildo Mafra. “Todos eles coordenados pelo funcionário do Ibama, Carlos Moura Fé, que atualmente está licenciado do órgão federal e ocupa o cargo de Assessor Especial da Secretaria Estadual do Meio Ambiente” acusa Soares.
A prova incontestável do projeto que vem sendo tocado sob sigilo pelo Governo do Piauí, Ibama, ICMBio e MMA está em um mapa elaborado pela Secretaria Estadual do Meio Ambiente e que vazou para imprensa. Nesse documento, fica claro a armação política que se desenrola com a ampliação do Parque Nacional Serra das Confusões, divulgada nos últimos dias como a suposta “proteção” da Serra Vermelha. “Ao contrario, conforme se observa no mapa que tem o DNA do governo, os limites apontados pelo documento não englobam as chapadas da Serra Vermelha, local de maior biodiversidade do interior nordestino conforme pesquisas do Museu de Zoologia da USP”, dispara o jornalista e ambientalista Dionísio Neto que é um dos coordenadores da Rede Ambiental do Piauí (Reapi).
Pelo que se observa no documento, fica comprovado que o governo pretende retomar o projeto Energia Verde como uma iniciativa auto-sustentável com o argumento de que, agora, o carvão produzido na região, ao invés de abastecer as indústrias siderúrgicas do Brasil e do exterior, seria utilizado para gerar energia através de uma termoelétrica instalada na Serra Vermelha sob a responsabilidade da Tractebel, que atua no Brasil mais tem origem na Bélgica.
Como vários tipos de geração de energia, a termoeletricidade também causa impactos ambientais e o principal deles é a contribuição para o aquecimento global através do efeito estufa e da chuva ácida. A queima de gás natural lança na atmosfera grandes quantidades de oxidantes e redutores, que se entrar em contato com o ser humano, pode acarretar doenças como diarréia, alem de ser um combustível fóssil que não se recupera.
Atualmente o Brasil lança por ano 4,5 milhões de toneladas de carbono na atmosfera e com o incremento na construção de usinas termelétricas esse indicador poderá chegar a 16 milhões nos próximos anos. “Chamam-se termo-elétricas por que são constituídas de 2 partes, uma térmica onde se produz muito vapor a altíssima pressão e outra elétrica onde se produz a eletricidade. A energia elétrica é produzida por um gerador que possui um eixo movido por uma turbina que é alimentada através de um vapor sob forte pressão. Depois do uso o vapor que é produzido por uma caldeira alimentada pelo carvão vegetal é devolvido na atmosfera”, explica o ambientalista Francisco Soares.
A usina termelétrica a ser implantada na região da Serra Vermelha teria a capacidade de produzir 100 megawatts e seria alimentada através da biomassa produzida pelo projeto Energia Verde. “O empreendimento é grandioso e tem na sua liderança o empresário João Batista Fernandes, suspeito de grilagem de terras e de financiar campanhas do PT no Piauí”, confirma Dionísio Neto.
Clique na imagem e veja ela em detalhes.



