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domingo, 5 de junho de 2011

REAPI e Arquidiocese de Teresina reforçam a defesa pelas florestas


Em uma ação conjunta a Arquidiocese de Teresina juntamente com a Rede Ambiental do Piauí – REAPI, realizaram no dia 01 de junho, no complexo ponte Estaiada, a Celebração pela Vida, um ato em defesa do meio ambiente, especialmente, das florestas piauienses.

O evento contou com a presença de autoridades religiosas, dos movimentos sociais, ambientais e políticas, vale destacar a presença do Bispo Dom Sérgio, que fez um discurso forte cobrando posicionamento dos nossos governantes na defesa de nossas florestas.

Durante o evento foi apresentado um abaixo assinado em defesa das florestas do Piauí, especialmente, as que se encontram protegidas pela Lei 11.428, que é a Lei da Mata Atlântica, e o Piauí possui as florestas estacionais deciduais e semideciduais que  se enquadram no mapa da área de aplicação desta Lei. O documento será entregue ao governador.

Diversas atividades culturais como apresentação do Grupo Valor, Balé de Teresina e peças musicais encantaram as mais de 400 pessoas ali presentes com mensagens de preservação do meio ambiente. 





quinta-feira, 5 de maio de 2011

Piauí terá que respeitar a Lei da Mata Atlântica a força

Foto: Dionísio Neto / Ipê Amarelo dentro do Parque da Cidade
Por Tânia Martins

O Ministério Público Estadual, através da Curadoria do Meio Ambiente vai pedir uma intervenção federal no Piauí, para obrigar a Secretaria Estadual do Meio Ambiente-SEMAR, a cumprir a lei 11.428, conhecida como a Lei da Mata Atlântica, que protege formações vegetais que ocorrem no Piauí e que são ignoradas pela Semar, que continua licenciando empreendimentos voltados para o agronegócio nestas áreas.

A informação foi repassada pela promotora Carmen Almeida ontem, durante a Audiência Pública no Plenarinho da Assembléia Legislativa, para debater o caso. Já a deputada Margarete Coelho, que propôs o debate, informou que a Comissão de Meio Ambiente da Assembléia vai solicitar da Semar cópias de todas as licenças ambientais expedidas pelo órgão nos 46 municípios onde existe a predominância da mata atlântica, desde que a lei entrou em vigência, em 2006, para em seguida adotar medidas juridicas.

 A deputada disse ainda que também vai encaminhar ofício a Procuradoria Geral do Estado, solicitando informações oficiais sobre o desrespeito a lei. “Assim, ficaremos sabendo qual é a opinião do governador sobre o assunto”, disse. Em seu discurso, Margarete  não poupou criticas a Semar e ao Instituto Chico Mendes no Piauí-ICMBio, que além de não cumprirem a determinação ainda querem retirar o Piauí do mapa da Mata Atlântica.

Essas iniciativas só foram tomadas pelo fato do secretário do Meio Ambiente, Dalton Macambira, discursar contra a aplicabilidade da lei, afirmando que a mesma impede o desenvolvimento econômico já que, segundo ele, gera uma insegurança jurídica e empresas do agronegócio deixam de investir no Estado. Ele disse ainda que já solicitou ao IBGE a retirada do Piauí do mapa.
A representante do Ministério do Meio ambiente, Tatiana Rehder, enfatizou que foram quatorze anos de estudos para se editar a lei da Mata Atlântica e que o único estado brasileiro a questioná-lo foi o Piauí, fato que o MMA ver com preocupação. Já o representante do IBGE, Pedro Soares, foi mais além e disse que quando o IBGE constrói um mapa ele o faz baseado em estudos científicos minuciosos e que mudar a lei depois que ela está editada requer muito trabalho.

Francisco soares, da Fundação Rio Parnaiba-Furpa, colocou que a Semar faz a confusão somente para proteger grandes fazendeiros do agronegócio e carvoeiros que estão dizimando a mata no Sul do Estado. Ele citou o caso da JB Carbon que foi protegida pelo secretário Dalton Macambira e o ex-governador Wellington Dias que, mesmo estando produzindo carvão vegetal na área de maior biodiversidade na Serra Vermelha, ainda teve seu projeto protegido. 

terça-feira, 3 de maio de 2011

Área da aplicação da Lei da Mata Atlântica é respeitada em Teresina

Por Tânia Martins

A Mata Atlântica identificada em Teresina ganha à proteção da Prefeitura. Pelo menos foi o que prometeu o prefeito da cidade, Hemano Ferrer em audiência com a Curadora do Meio Ambiente da capital, Carmen Almeida.
Segundo Carmen, a partir de agora todo e qualquer grande empreendimento que for se instalar em Teresina vai ter que cumprir a legislação municipal e respeitar a Lei 11.428 que protege uma vegetação associada ao bioma da Mata Atlântica encontrada no Piauí, motivo de polêmica e desrespeito por parte de alguns gestores.
Fragmento Florestal localizado na área do Meduna.
Como exemplo ela citou que, caso a vegetação de uma área disponibilizada para fixar um empreendimento na capital tenha uma vegetação primária, em hipóteses alguma poderá ser suprimida, caso a vegetação seja secundária será liberada 50 por cento ou 30 por cento, a depender do levantamento fitosociológico que passa a ser obrigatório.
Para a Curadora, ao garantir o cumprimento da legislação o município avança em dois sentidos: respeito à lei e ao meio ambiente. Segundo ela, tanto o prefeito como o secretário de Meio Ambiente, Deocleciano Guedes, em nenhum momento questionaram a possibilidade de contrariar a lei 11.428 como faz o governo do Estado.
Audiência Pública
Nesta quarta-feira, às 9h no Plenarinho da Assembléia Legislativa, a deputada Margarete Coelho (PP) preside uma audiência pública para debater a aplicabilidade da lei 11.428, que dispõe sobre a utilização e proteção da vegetação nativa do bioma mata atlântica e vegetação associada como as florestas Estacional Decidual e Semidecidual encontradas no Piauí.
Para o debate estarão presentes representantes do Ministério do Meio Ambiente, IBGE, SEMAR, Ministérios Público Estadual e Federal, Universidade Federal do Piauí, ONGs ligadas ao Meio Ambiente e movimentos sociais.

terça-feira, 15 de março de 2011

MPF Recomenda suspensão de licenças ambientais no Piauí

Procurador Tranvanvan Feitosa determinou a paralisação dos projetos de desmatamento no interior do Piauí e acusa Semar de irregularidades dentro mapa de aplicação da Lei 11.428 da Mata Atlântica.

O Ministério Público Federal no Piauí, por meio do procurador da República Tranvanvan Feitosa, requisitou ao superintendente do Ibama no Piauí, Romildo Mafra, a realização de atividade fiscalizatória em toda a região sul do Piauí. O objetivo dessa fiscalização é identificar todas as carvoarias instaladas no Estado, com ou sem licença ambiental válida, verificando a documentação relacionada ao transporte de carvão vegetal, e a existência de desmatamentos irregulares.

No documento, o procurador da República determina que, caso sejam identificados projetos irregulares, o Ibama adote as providências administrativas cabíveis, inclusive embargando a atividade.

A medida adotada pelo MPF integra o inquérito civil público nº 1270/07 que tem por finalidade a identificação e repressão de desmatamentos e carvoarias instaladas no estado em desacordo com a legislação ambiental. Nesse inquérito, existem cópias de licenças ambientais emitidas pela Semar para a instalação de carvoarias que apontam para a insustentabilidade dessa atividade econômica.

Para tentar barrar os crimes cometidos contra o meio ambiente, especialmente na região dos cerrados, o MPF/PI já ofereceu diversas ações penais por crimes de desmatamento ilegal e uso de documentação fraudulenta para acobertar a saída de carvão para usinas siderúrgicas localizadas, principalmente, em Minas Gerais e no Maranhão.

O Ministério Público Federal também recomendou à Semar, a suspensão das licenças ambientais para carvoarias instaladas nos municípios onde há presença de Mata Atlântica, sendo eles: Morro Cabeça do Tempo, Curimatá, Avelino Lopes, Redenção do Gurgueia, Júlio Borges e Bom Jesus.

Fonte: Minísterio Público Federal

quinta-feira, 3 de março de 2011

Ministério Público Federal pede criação do Parque de Serra Vermelha

Boqueirão da Serra Vermelha/ Foto: André Pessoa

O Procurador da República no Piauí, Tranvanvan Feitosa, está ingressando com uma Ação Civil Pública contra o Ministério do Meio Ambiente-MMA, para proteger a região da Serra Vermelha, no Sul do Estado, que ficou fora da ampliação do Parque Nacional Serra das Confusões, em dezembro último. O argumento do procurador tem origem nos relatórios assinados por técnicos do próprio MMA , que deixam claro a importância biológica para a conservação e proteção da área.

Segundo Tranvanvan Feitosa, o fato do projeto elaborado na Secretaria Estadual do Meio Ambiente do Piaúi-SEMAR, ter excluído a área significa que pode ter ocorido  favorecimento a empresa JB Carbon, que tem a posse da terra e vinha explorando-a de forma predatória. Para o movimento ambiental, a atitude do MP é de extrema relevância já que consideram que durante o processo houve uma série de erros e indícios de corrupção, entre elas, a aprovação, pelo Governo Federal de R$ 150 milhões, pela incorporação de cerca de 300 mil hectares de terras estaduais para o domínio da União.

Ocorre que mesmo sem cumprir as regras legais estabelecidas para a transação, como a prévia aprovação da Assembléia Legislativa, em dezembro passado foi repassado R$ 50 milhões como primeira parcela. Porém, recentemente, ao tentar a liberação da segunda parcela, o governo do Piauí foi surpreendido com o bloqueio do dinheiro pela Casa Civil, que, enfim, resolveu reparar o erro de não exigir a documentação prevista em lei. Entre eles,  vender terras estaduais sem a autorização da Assembléia Legislativa.

Conforme os ambientalistas, o erro se repetiu com o levantamento fundiário não realizado. O presidente da Fundação Rio Parnaíba, Francisco Soares, acredita na existência de uma negociata envolvendo o presidente do ICMBio, Rômulo Melo, deputados da bancada do Piauí e o governo do Estado, para proteger  empresários donos de projetos na Serra Vermelha.
Fonte: Diário do Povo Piauí

quarta-feira, 2 de março de 2011

A Mata Atlântica não inviabiliza a economia do Piauí


Árvore conhecida como barriguda/ Foto: André Pessoa

O mapa da área de aplicação da Lei 11.428/06 - Lei da Mata Atlântica, compreende 17 estados brasileiros, e dentre eles temos o Estado do Piauí, que possui 46 municípios dentro da área de abrangência da Lei, correspondente a 10,52% do seu território. A Lei é aplicada em 11 diferentes coberturas vegetais, e o Piauí possui duas delas, a Floresta Estacional Semidecidual e a Floresta Estacional Decidual, sendo a última a mais encontrada no Estado.

O processo insustentável de exploração do Piauí tem aumentado a cada dia, e consequentemente, a supressão da vegetação tem provocado mudanças estéticas, sociais, ambientais e econômicas irreversíveis para as florestas do Piauí. Recentemente uma grande polêmica criada no Piauí a respeito da presença dessas duas formações florestais enquadradas na Lei 11.428/06 tem incomodado grandes grupos do ramo do agronegócio, siderurgia e politicos. Para eles, a aplicação da Lei da Mata Atlântica, que protege a floresta, pode emperrar a economia do Estado.

É interessante observar que outros estados não contestam a Lei, e nem por isso pararam de crescer. O único estado que vai contra a Lei é Minas Gerais, onde os deputados e o próprio governo afirmam que a “mata seca” e não a Floresta Estacional Decidual, é que ocorre no seu território. Com isso, eles visam favorecer as siderúrgicas. Hoje, no Piauí, acontece algo parecido, pois a vegetação piauiense possui grande potencial para a produção de carvão, que também chega até as
siderúrgicas de Minas Gerais.

Alguns pesquisadores, em defesa das empresas e politicos, não admitem as Florestas Estacionais Semideciduais e Deciduais no Piauí, e afirmam que no estado existe mesmo é a “caatinga arbórea”, que realmente se assemelha a decidual, pois esse tipo de caatinga existe em alguns lugares do Brasil.

Um mapeamento da Mata Atlântica e Ecossistemas Associados, feito pela Sociedade Nordestina de Ecologia (SNE) vai além e traz pontos importantes sobre a área de aplicação da Lei da Mata Atlântica, pois o mapeamento adotou as fisionomias definidas no decreto nº 750/93.

No Piauí, a legenda da vegetação mapeada foi: floresta estacional semidecidual montana (floresta tropical subcaducifólia); floresta estacional decidual Montana (floresta tropical caducifólia); e além disso a vegetação de dunas/ restinga (vegetação com influência marinha) e vegetação de manguezal (vegetação com influência
fluviomarinha).

Trabalhos do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), verificaram no Piauí o NDVI (Normalized Difference Vegetation Index – na sigla em ingles, ou o mesmo que (Índice de Vegetação por Diferença Normalizada), e revelam que a vegetação varia de acordo com o clima da região, confirmando que no Piauí existem florestas estacionais deciduais e semideciduais, em estações bem definidas.

O trabalho feito com imagens de satélite revela que a floresta estacional apresenta os maiores valores de NDVI. “Este comportamento ocorre porque a floresta tropical, adaptada a períodos secos, além de manter grande parte de sua folhagem durante a estiagem, é vegetativamente densa. Outro ponto importante é que os picos de máximos e mínimos valores de precipitação concentram-se neste domínio, fator que também influencia os valores mais altos de NDVI, uma vez que quanto mais seca a vegetação, mais rápida é sua resposta às chuvas.

E o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em publicação de 1993 deixa claro os dados do INPE, pois a floresta estacional constitui uma mata tropical que ocorre em regiões de duas estações definidas, uma seca e outra chuvosa, com espécies que perdem suas folhas na época da estiagem. Na floresta estacional semidecidual, 20% a 50% da folhagem cai no período seco, enquanto que na floresta estacional decidual a perda foliar chega a 50% ou mais, no mesmo período.

Recentemente pesquisas lideradas pela equipe da arqueóloga Niéde Guidon, sob a orientação da botânica francesa Laure Emperaire, revelam que durante quatro décadas estudos mostraram as características naturais da região da Serra da Capivara, realizando inclusive um inventário da flora, que aponta fortes elementos da Mata Atlântica, e também da floresta amazônica.

A denominação de “bioma” não tem agradado alguns políticos e poucos pesquisadores ligados a eles, pois procuram associar a Mata Atlântica a apenas uma floresta densa, próxima do oceano Atlântico com o famoso mico-leão-dourado. Existem até aqueles que confundem a população dizendo que a Lei não se aplica ao Estado do Piauí, mas esquecem de dizer qual é o real interesse político e econômico camuflado no discurso.

O que deve ficar claro para a sociedade é que na Mata Atlântica existem ecossistemas associados, cada qual com suas especificidades. E a falta de conhecimento, ou melhor, a carência de estudos mais aprofundados, também dificulta e alimenta discussõe. O problema é que enquanto isso acontece, a floresta vai sendo destruída. A
biodiversidade incluída na Lei 11.428/06 no Piauí tem o papel fundamental de amenizar a pobreza e a desnutrição, além da mitigação e adaptação das mudanças climáticas. Vale destacar que a mata ajuda também a controlar o regime das chuvas, envolvendo todo o setor agrícola de uma determinada região afetando também sua economia.

A Área de Aplicação da Lei da Mata Atlântica é rígida porque são áreas de extrema importância biológica. E quando se fala em biologia não é somente os bichos e os vegetais, mas os seres humanos.  O ano de 2011 foi escolhido pela ONU como o Ano Internacional das Florestas, para tentar aproximar todos os cidadãos sobre a importância de se preservar a mata, que cobre 31% das terras do planeta, sendo que o Brasil possui a maior parte.

Manter a floresta da Mata Atlântica, da Caatinga ou do Cerrado não significa retrocesso para a economia do Piauí, pois todos sabem que as características climáticas do Estado não permite a grande quantidade de desmatamento existente, afetando diretamente o desenvolvimento das cidades como o controle da erosão (evitando as tragédias),
fornecimento de alimento (o Piauí pode perder 70,1% das terras cultiváveis até 2050), retirada de carbono, e principalmente, o suprimento de água. Ao contrário do discurso politico, manter a floresta preservada é necessário para equilibrar a vida e a economia do Estado do Piauí.

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Dionísio Carvalho Neto - Jornalista, ambientalista, Secretário
Executivo do Conselho Municipal de Meio Ambiente de Teresina, e
graduando em Gestão Ambiental

Pesquisadores confirmam existência de Mata Atlântica no Piauí



A polêmica sobre a existência de Mata Atlântica no Piauí ganhou um forte reforço com a divulgação de uma entrevista com a arqueóloga Niéde Guidon, que confirma textualmente a presença da floresta tropical no interior do estado. A constatação é fruto das pesquisas de sua equipe que durante quatro décadas estudou profundamente as características naturais da região da Serra da Capivara, realizando inclusive um inventário da flora.

Em uma ampla entrevista veiculada por uma emissora de televisão de Teresina, Niéde Guidon explicou a ocorrência dessa formação vegetal e foi além, afirmando que o Piauí abriga não apenas elementos da Mata Atlântica como também da floresta amazônica. E para provar isso, ela indicou um biólogo de sua equipe que foi ao campo mostrar aos repórteres algumas espécies da Mata Atlântica em plena caatinga. Os estudos que comprovam a Mata Atlântica no Piauí foram coordenados pela botânica francesa Laure Emperaire.

Para os ambientalistas, a entrevista de Niéde Guidon, derruba a estratégia do secretário de Meio Ambiente do Piauí, Dalton Macambira, que vem realizando uma forte campanha para convencer a população piauiense de que não existe Mata Atlântica no estado. Dalton vai além e afirma que já pediu ao IBGE para retirar o Piauí do mapa da Mata Atlântica, como se isso fosse uma decisão meramente política.

Segundo o biólogo Francisco Soares, do Conselho Nacional do Meio Ambiente (CONAMA) e da Fundação Rio Parnaíba (FURPA), Dalton Macambira, está preocupado mesmo é com a aplicação da Lei n° 11.428 que regulamenta a Mata Atlântica e impede empreendimentos que causem destruição ao meio ambiente, caso do projeto de carvão vegetal da empresa JB Carbon S/A, na região da Serra Vermelha.

“O secretário Macambira já foi desmoralizado algumas semanas atrás com um artigo da promotora Carmem Almeida, que é especializada em direito ambiental pela PUC do Rio de Janeiro e já foi a curadora de Meio Ambiente do Piauí. Agora, foi a vez de uma cientista que pesquisa há 40 anos no Piauí confirmar a existência de Mata Atlântica no sertão. O que Dalton vai dizer agora?”, questiona o biólogo.

Para o representante da FURPA, o único argumento que o secretario de Meio Ambiente utiliza para afirmar que não existe a Mata Atlântica no Piauí, é um estudo realizado pelo professor da Universidade Federal do Piauí (UFPI), Alberto Jorge. “O problema, é que esse estudo foi pago pelo empresário João Batista Fernandes, da JB Carbon, e os levantamentos foram realizados exclusivamente na área do projeto Energia Verde, na Serra Vermelha”, denuncia Francisco Soares.

Para o jornalista e ambientalista Dionísio Neto, da Rede Ambiental do Piauí (REAPI), o Piauí vai contra o restante dos estados brasileiros que sentem orgulho de possuir a vegetação de Mata Atlântica em seu território. “Só existe uma explicação para a atitude do secretário Dalton Macambira: interesses econômicos contrariados. Não é a toa que Dalton Macambira acaba de ser condenado pela Justiça Federal do Piauí”, finalizou.

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Considerações sobre a Mata Atlântica no Piauí e outros temas

Por Marcelo Coelho

As discussões que vêm sendo travadas entre as diversas instituições governamentais e organizações não governamentais sobre a existência do bioma Mata Atlântica na região da Serra Vermelha, no sul do Piauí, não podem tirar o foco da principal e verdadeira questão que é o processo brutal de desmatamento para produção de carvão vegetal de uma enorme extensão de terra numa região de biodiversidade riquíssima e formações rochosas de rara beleza, tão bem demonstradas nas fotografias e imagens feitas por André Pessoa e pelo Globo Repórter.

A questão veio à tona durante a realização do evento “I Semana da Mata Atlântica no Piauí”, de 26 a 30 de janeiro último quando foram realizadas palestras, exposições e mostra de vídeos na Praça Pedro II, centro de Teresina. Neste evento, vários temas importantes foram debatidos como a defesa da Serra Vermelha, os grandes projetos de monocultura no entorno de Teresina e no sul do Estado, e sobretudo o projeto que altera o Código Florestal, ora em tramitação no Congresso Nacional.

As chuvas que causaram uma tragédia em larga escala na região serrana do Rio de Janeiro evidenciaram o problema da ocupação desordenada do solo e o desrespeito à legislação vigente, tornando temerária a flexibilização do Código Florestal.

É urgente a necessidade de um zoneamento ecológico-econômico no Estado do Piauí, priorizando aquelas áreas onde as transformações ocorram de maneira mais imediata, e que a ocupação da terra aconteça de uma forma equilibrada e sustentável, diminuindo os impactos negativos que possam incidir.


Marcelo Coelho é Procurador Federal
Foi Secretário do Meio Ambiente e Deputado Estadual

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Livro escolar ensina e confirma que o Piauí possui a mata atlântica

Enquanto o Governo do Piauí contesta em dizer que não existem florestas no mapa da área de aplicação da Mata Atlântica no Piauí, as crianças piauienses já estão aprendendo na escola que existe sim, a presença do bioma no Estado através do livro: "Piauí Encontros com a Geografia", da Editora do Brasil, edição de 2010, dos autores Elisângela Guimarães, Márcio Iglesias e Rafael Brandim.

O livro está sendo adotado em 2011 por dezenas de escolas piauienses, e no capítulo destinado aos biomas os autores destacam na página 105, que os professores devem enfatizar a presença da Mata Atlântica, baseados na Lei n. 11.428 de 22 de dezembro de 2006, e no Decreto n. 6.660 de 21 de novembro de 2008 que protegem legalmente o bioma. 

Piauí Encontros com a Geografia", Editora do Brasil, Edição 2010
O assunto tem gerado discussões entre os ambientalistas, que insistem na preservação da floresta, e o Governo Estadual, que é contra a presença do bioma e assim beneficiam a destruição favorecendo diretamente o agronegócio, especialmente, as carvoarias. 


O Piauí tem cerca de 10,52% da sua área dentro do mapa de aplicação do bioma com a presença da Floresta Estacional Decidual e Floresta Estacional Semidecidual, segundo o IBGE. O livro escolar reforça mais ainda a defesa e o conhecimento da sociedade e estudiosos sobre o assunto.


quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Piauí transmite debate online para todo Brasil sobre a Mata Atlântica

O Piauí está incluído dentro do mapa de aplicação da Lei sobre a Mata Atlântica, e para discutir o assunto a Fundação SOS Mata Atlântica, transmite, às 14h, um debate virtual para todo o Brasil com o tema, “O Piauí no Bioma da Mata Atlântica”. A transmissão será ao vivo com participação de representantes do Ministério Público Estadual do Piauí, Rede Ambiental do Piauí – REAPI, Fundação Rio Parnaíba - FURPA e a Fundação SOS Mata Atlântica. 

A iniciativa é das ONGs estaduais juntamente com a Fundação SOS Mata atlântica que realização a I Semana da Mata Atlântica no Piauí, na Praça Pedro II, e tem a finalidade de esclarecer a população sobre a aplicação da Lei 11.428/2006, Lei da Mata Atlântica. Os ambientalistas também irão apontar os sérios danos causados ao bioma no Estado.

Participam do debate a Curadora de Meio Ambiente do Ministério Público do Piauí, Maria Carmem Almeida, Tânia Martins coordenadora da REAPI, Francisco Soares da FURPA e o diretor nacional da SOS Mata Atlântica, Mário Montovani.

Para assistir online as pessoas devem se cadastrar no site www.conexaosos.org.br, e os internautas ainda podem enviar suas perguntas ao vivo.


segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Confira a programação da I Semana da Mata Atlântica no Piauí

A partir desta quarta-feira, dia (26), Teresina vai se transformar em uma cidade totalmente ecológica com a I Semana da Mata Atlântica no Piauí e a chegada da caravana itinerante no caminhão da Fundação SOS Mata Atlântica, com a exposição “A Mata Atlântica é aqui ”,  no centro de Teresina, Praça Pedro II.

A caravana da SOS Mata Atlântica traz a “Exposição Itinerante do Cidadão Atuante”, e ficará estacionada durante cinco dias na Pedro II levando a população informações de renomados pesquisadores, ambientalistas e educadores sobre o bioma Mata Atlântica.

Estará à disponível aos visitante, jogos educativos, oficinas de desenhos, biblioteca para consultas, roda de sensações, cinema, exposição de produtos da Mata Atlântica, doação de mudas, exposição fotográfica, palestras, entre outras.

Na I Semana da Mata Atlântica no Piauí, será debatido a importância do bioma no Estado e sua relevância para o equilíbrio biológico das espécies e dos seres humanos.

No dia 27, (quinta-feira), será transmitido um debate virtual direto do Piauí para o mundo, no programa online “Conexão Mata Atlântica”, com o tema: O Piauí também tem Mata Atlântica, com a participação do ambientalista Mário Montovani, diretor da SOS Mata Atlântica, Ministério Público do Piauí, REAPI e FURPA. Participe e envie suas perguntas através do site www.conexaososma.org.br.

Confira a Programação

26 de janeiro (quarta-feira) – Praça Pedro II

Atividades abertas ao público durante todo o tempo - das 16h às 21h

16:00 – Solenidade de Abertura da I Semana da Mata Atlântica no Piauí e da Exposição Itinerante “A Mata Atlântica é Aqui”.
17:00 – Palestra: “O Domínio da Mata Atlântica no Brasil Segundo o Mapa de Vegetação da área de aplicação da lei 11.428 de 2006/IBGE – 2006”, com participação de Pedro Soares, Supervisor de Documentação do IBGE.
18:00 - Coleta de água do Rio Parnaíba e Poti para análise.
20:00 - CineMata: Exibição de vídeos e desenhos com temas socioambientais.

27 de janeiro (quinta-feira) – Praça Pedro II

Atividades abertas ao público durante todo o tempo - das 15h às 21h

14:00 – Debate virtual: O Piauí no Bioma da Mata Atlântica, com participação de representantes do Ministério Público Estadual do Piauí, REAPI, FURPA e SOS Mata Atlântica. Acompanhe e envie suas perguntas no site: www.conexaososma.org.br
15:00 – Jogos educativos: jogo da memória e jogo da cidadania.
17:00 – Palestra: “Aplicabilidade da Lei da Mata Atlântica (11.428/2006) e Resolução CONAMA no Piauí ”, Palestrante: Dra. Carmem Almeida - MPE.
19:00 – CineMata: Exibição de vídeos com temas socioambientais.

28 de janeiro (sexta-feira) – Praça Pedro II

11:00 - Chegada da Caminhada de Combate ao Trabalho Escravo no Piauí e da  Defesa da Mata Atlantica no Piauí

Atividades abertas ao público durante todo o tempo - das 15h às 21h

15:00 – Roda de conversa: “A Mata Atlântica é aqui em Teresina”, com participação de Mário Mantovani, Diretor de Políticas Públicas da SOS Mata Atlântica.
16:00 – Palestra: “Código Florestal e sua Importância para a Proteção da Biodiversidade Brasileira”. Convidados:  OAB/Piauí, IBAMA, SEMAM, MPE e ONGs.
18:00 – Oficina de pintura: Máscaras de Animais da Mata Atlântica.

29 de janeiro (sábado) – Encontro dos Rios

10:00 - Manifesto em defesa do Cágado de Barbicha e combate ao tráfico das especíes da fauna da Mata Atlântica de Teresina.
10:30 – Palestra: “Atuação do Batalhão de Polícia Ambiental na Defesa e preservação do Meio Ambiente”, com participação do Tenente/Coronel Renato Alves.
11:00 – Palestra: “Serra Vermelha - A Mata Ameaçada”, - com participação do Biólogo Francisco Soares, da Furpa.

Praça Predro II

Atividades abertas ao público durante todo o tempo - das 15h às 21h

15:00 -  Oficina de desenho de animais da Mata Atlântica.

19:00 -  CineMata: Exibição de vídeos com temas socioambientais.

30 de janeiro (domingo) – Praça Pedro II

Atividades abertas ao público durante todo o tempo - das 12h às 18h

14:00 – Oficina: brinquedos feitos com garrafas PET.

17:00 - Jogos educativos: jogo da memória e jogo da cidadania.

18:00 – Encerramento das atividades.

Atividades que podem ser realizadas a qualquer momento: CineMata, Oficinas de desenhos, , Mini biblioteca para consultas, Roda das sensações, Jogo da cidadania, Jogo da memória, Maquete dinâmica, Pintura de máscaras de animais da Mata Atlântica e outros jogos educativos, Tenda do Piauí (Exposições de produtos alimentícios e ervas medicinais oriundos da Mata Atlântica do Piauí; doação de mudas da Mata Atlântica; Exposições fotográficas da Mata Atlântica no Piauí; Exposição de equipamentos das ações de convivência com a mata seca (cistenas, calçadão,bomba dá água) e Exposição do acervo e equipamentos do Batalhão da Polícia Ambiental).

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Caminhão itinerante da SOS Mata Atlântica chega ao Piauí

Com apenas um pouco mais de 10% do seu território coberto pelo bioma Mata Atlântica, o estado do Piauí recebe, pela primeira vez, o projeto “A Mata Atlântica é aqui – exposição itinerante do cidadão atuante” da Fundação SOS Mata Atlântica. a inciativa fará parte da I Semana da Mata Atlântica no Piauí e trás um caminhão totalmente adaptado pela ONG ficará estacionado na Praça Dom Pedro II, no centro da capital piauiense, Teresina, da próxima quarta-feira (26/01) até domingo (30/01). Nesse período serão desenvolvidas palestras, oficinas, exposições, jogos educativos, monitoramento de água, exibições de filmes e maquete, entre outras atividades. A iniciativa tem como objetivo levar um pouco mais de conhecimento sobre o bioma e como preservar o que resta dele.

O horário de funcionamento é 16h às 21h na quarta-feira, das 15h às 21h de quinta a sábado, e das 12h às 18h no domingo. A iniciativa tem o patrocínio de Bradesco Cartões, Natura e Volkswagen Caminhões & Ônibus e apoio local da Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Recursos Hídricos - SEMAM, Grupo Matizes, ONG + Vida, Rede Ambiental do Piauí – REAPI e Fundação Rio Parnaíba – FURPA.

Qualquer pessoa pode participar das atividades, escolas e grupos interessados podem realizar visitas monitoradas ao projeto. Além disso, quem tiver interesse em se tornar um voluntário também pode participar. Em caso de dúvidas, agendamento de visitas monitoradas ou inscrição para participação voluntária, é preciso entrar em contato pelo email itinerante@sosma.org.br ou pelo telefone (11) 3055-7886. Mais informações pelo site www.sosma.org.br.

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

ARTIGO: Céu à carvoaria

Natureza, (sobre) viva. 

Por Maneco Nascimento

Tarefa simples, administrar a pasta estadual do Meio Ambiente, que a efeitos de fisiologismo ensebado confirma Dalton Macambira (PCdoB), em generoso cargo de paxá da Secretaria Estadual do Meio Ambiente, para quem sabe + quatro anos de desmandos. Que Deus nos proteja das novas ciladas ao meio ambiente, porque das arrumações políticas ninguém nos defenderá.
Dez dias após reassumir o órgão, na noite da última segunda-feira, o protagonista de grandes escândalos ambientais na gestão anterior de oito anos de governo petista, Dalton Macambira, foi apontado pelo Jornal da Globo, em matéria de abrangência nacional, como o responsável pela destruição das matas nativas do sul do Piauí, em especial, o que resta da Mata Atlântica no estado. ("Jornal da Globo mostra caos na gestão do meio ambiente no Piauí". Matéria da jornalista Tânia Martins, para publicação, em 11 de janeiro de 2011)
Matéria de amplo destaque, conduzida pelo repórter José Raimundo, trouxe à mostra o submundo da indústria carvoeira. O Piauí numa radiografia de como vem sendo dizimado o bioma dessa natureza que tanto nos protege, com autorização oficial do gestor da pasta responsável pela proteção ambiental.
Escândalo por escândalo para a horda dos ausentes de interesses coletivos, esse das manobras ao desmatamento para benesses de grupinhos privados seria bem extenso.
Além das autorizações de cunho "legais" de derrubada de mata, há também a afirmação de fiscais do Ibama da existência de exploração ilegal das reservas naturais.(Idem)
A região seria o céu indispensável dos grileiros e dos proprietários das carvoarias. A reportagem apontou que a região da Serra Vermelha, entre os municípios de Curimatá e Morro Cabeça no Tempo, este último um dos locais + pobres do Brasil, não alcançado ainda pela política inclusiva governamental para os miseráveis brasileiros, estaria concentrado o olho do furacão ganancioso da produção de carvão vegetal do Nordeste.
Toda a sorte de lucros bem repartidos ao discurso desenvolvimentista ocorre com o autorizo da Semar. Em auxílio do bom comunista, Dalton Macambira, veio para a Semar um ex-funcionário do Ibama, que, segundo consta, trouxe consigo vasta experiência no assunto de produção ao interesse de quem compra a energia natural e verde.
Indicado pelo deputado federal Osmar Júnior (PCdoB), o gestor da pasta do meio ambiente estadual vai possibilitando um céu mais cinza e um solo + árido às futuras gerações, nunca beneficiadas com o espólio de olhos flamejantes de futuro.
Apesar do mapa do IBGE, a Secretaria Estadual do Meio Ambiente posicionou-se à reportagem da Globo como não reconhecendo aquela área, em processo de extinção completa, como Mata Atlântica. Também confirmou todas as autorizações para desmatamento e a intenção em proteger o projeto Energia Verde, da empresa carioca JB Carbon S/A, que planeja transformar 78 mil hectares, da última floresta do semiárido, em carvão. (Idem)
Exclusão da área viva, por demais lucrativa, da ampliação do Parque Nacional Serra das Confusões em benefício do Projeto Energia Verde e lucro aos cofres do Piauí, manobra que rendeu R$ 150 milhões de reais a serem divididos entre os fazendeiros que dizem possuir terras na região(Idem), seriam só alguns dos artifícios produzidos pelo comunista Dalton Marcambista, ops!, Macambira.
Ambientalistas como Rômulo Mello, presidente do ICMBio, Dionísio Neto, da Rede Ambiental do Piauí e o biólogo Francisco Soares, da Fundação Rio Parnaíba, sabem do que estão falando quando apontam esse gestor oficial do meio ambiente como omisso às causas ambientais no estado.
Eles não estão com prosa vazia. Talvez só não consigam, como qualquer pessoa sensível, aceitar que a Semar pareça só preocupar-se com lucros e dividendos.
O caso de desmatamento selvagem com foco de denúncia no Globo Repórter, nas revistas Terra, Com Ciência Ambiental, Horizonte Geográfico, Terra da Gente, Rolling Stones e, mais recentemente, em novas abordagens da revista Época e do jornal Correio Braziliense não parecem surtir qualquer efeito entre os políticos e autoridades locais. (Idem)
Talvez o futuro da maioria da vida do planeta tenha que ser sobreviver, bem mal, como herdeira da corja pirata que debasta as matas brasileiras, enquanto produz o próprio futuro, recheado de interesse privado.
Que a natureza (sobre)viva como puder, porque das decisões ambientais oficiais se estará fadado a um futuro previsivelmente caótico, graças a esses homens do governo.

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Jornal Diário do Povo "Desmatamento no Piauí ganha destaque nacional"

Uma reportagem exibida na última segunda-feira pelo Jornal da Globo, da TV Globo,  denunciou a destruição da Mata Atlântica no município de Morro Cabeça no Tempo, a 874 km da capital. O município, com menos de cinco mil habitantes, concentra várias carvoarias e o mais preocupante é que a maioria delas funciona com a autorização da Secretaria Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos. A reportagem destaca ainda as conseqüências dessa produção desenfreada de carvão sobre o clima, a vegetação, as espécies animais e sobre a população do município.

O Piauí foi tema da primeira reportagem da série "Globo Na-tureza". O repórter José Rai-mundo foi ao município, na região da Serra Vermelha, e conversou com pesquisadores e trabalhadores das carvoarias. Ele constatou que, perto dos fornos onde o carvão é queimado, a temperatura chega a 52º C. A reportagem afirma ainda que a Secretaria de Meio Ambiente não reconhece o local como Mata Atlântica e ressalta que o Ibama realiza uma fiscalização precária no local.

Pelo menos 10 toneladas de carvão são produzidas na região todos os meses. Essa seria a produção das carvoarias "legalizadas". A mesma quantidade sai dos fornos das carvoarias clandestinas, segundo os ambi-entalistas.  "É quente demais! Não tem outro trabalho, tem que fazer o que tem", conta o carvoejador Gisley Omélio. A professora Luzia Luz Neto diz na matéria: "Se você tivesse vindo aqui nos anos 90, o clima era outro, bem mais agradável, bem mais fresco, dava pra viver muito bem. E hoje a gente percebe que é muito quente".
"As consequências já são visíveis. A maior lagoa da região encolheu 30%. Rios estão secando, nascentes desapareceram. Uma área, por onde o vaqueiro Claudionor Ribeiro passava todos os dias, era um brejo que matava a sede da boiada e do vaqueiro. Ele conta até onde chegava a água antes da seca dos rios. Na região da Serra Vermelha, de grande importância ambiental, três biomas se encontram no mesmo lugar: caatinga, cerrado e mata Atlântica.

De todos os biomas brasileiros a mata Atlântica é o mais ameaçado. Tem apenas cerca de 7% de sua cobertura original. Por isso, qualquer desma-tamento é proibido, nenhuma árvore pode ser derrubada. Mas no Piauí as carvoarias desrespeitam a lei e com a conivência de quem deveria proteger a floresta. Elas têm licença de funcionamento dada pela Secretaria Estadual do Meio Ambiente. Mesmo as instaladas dentro da mata Atlântica. Ao Ibama cabe fiscalizar. O único escritório do órgão no local tem dois fiscais e uma área do tamanho do estado de Sergipe pra dar conta", diz a reportagem.
A produção do Piauí - a le-gal e a ilegal - carrega cerca de 15 caminhões por dia. O carvão viaja quase dois mil quilômetros praticamente sem barreiras nas estradas. O polo siderúrgico de Sete Lagoas, em Minas Gerais é o destino de todo o carvão que sai do Piauí. Muitos dos fornos - que produzem ferro gusa - se alimentam da destruição das matas nativas.

Das 61 indústrias que funcionam na região, menos de dez consomem carvão de procedência legal. Uma delas começou há 15 anos a plantar sua própria floresta. Só em uma fazenda tem 21 mil hectares de eucalipto.
Para o sindicato das indústrias, a saída é a nova lei florestal do estado de Minas que vai obrigar as empresas a consumir carvão vegetal apenas de floresta plantada. A nova lei mineira estabelece um prazo: a partir de 2017, 95% do carvão consumido pelas indústrias de ferro gusa deverão ser de floresta plantada. Até lá ainda vamos ouvir muito barulho de motosserra nas matas nordestinas.

I Semana da Mata Atlântica no Piauí começa dia 26


De Dionísio Neto
http://ecodio.blogspot.com/


A partir de 26 de janeiro até o dia 30, acontece em Teresina, na Praça Pedro II, a I Semana da Mata Atlântica no Piauí, a atividade contará ainda com a exposição itinerante “A Mata Atlântica é aqui”, da Fundação SOS Mata Atlântica. A iniciativa conta com o apoio da Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Recursos Hídricos de Teresina, ONGs ambientalistas e movimentos sociais.

A I Semana da Mata Atlântica no Piauí visa divulgar a importância da floresta mais ameaçada do Brasil. No Piauí, segundo o mapa de aplicação da Lei nº 11.428/2006, existem formações florestais características do bioma, dentres elas aparecem a Floresta Estacional Decidual e Floresta Estacional Semidecidual. Segundo os ambientalistas a maioria dos piauienses desconhece essa riqueza, e pensam que somente nas florestas do sul do país e próximas ao litoral existe o bioma da mata atlântica.

"Muitas pessoas pensam que as florestas mais densas são o único tipo existente, elas cientificamente são chamadas de Floresta Ombrófila Densa, mas aqui no Piauí possuímos dois tipos desses remanescentes florestais da Mata Atlântica, sendo a Floresta Estacional Decidual e Floresta Estacional Semidecidual.", disse Francisco Soares da Fundação Rio Parnaíba - FURPA.

Em Teresina o caminhão com a Exposição Itinerante estará na Praça Pedro II, de 26 a 30 de janeiro. A população poderá participar das palestras, oficinas, jogos educativos, exibições de filmes e maquetes, biblioteca para consultas, entre outras atividades. Durante a I Semanda da Mata Atlântica no Piauí ainda acontecerá palestras e exposição fotográfica.

Participam do evento a Rede Ambiental do Piauí - REAPI, Fundação Rio Parnaíba - FURPA, Grupo MATIZES, Fundação SOS Mata Atlântica, Rede de ONGs da Mata Atlântica - RMA e a Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Recursos Hídricos de Teresina - SEMAM.

Qualquer pessoa pode participar das atividades, inclusive o projeto conta com uma estrutura própria para receber deficientes físicos, com um elevador específico localizado na parte de trás do caminhão.

Escolas e grupos interessados podem realizar visitas monitoradas ao projeto. Além disso, quem tiver interesse em se tornar um voluntário também pode participar.

O projeto “A Mata Atlântica é aqui – exposição itinerante do cidadão atuante” é um caminhão adaptado pela SOS Mata Atlântica para visitar diversas cidades brasileiras levando informações e atividades de educação ambiental sobre o Bioma mais ameaçado do país. A iniciativa, que já passou por 70 cidades em 16 estados brasileiros mais o Distrito Federal, tem o patrocínio de Bradesco Cartões, Natura e Volkswagen Caminhões & Ônibus.


terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Rede Globo denuncia desmatamento da mata atlântica no PI

É um absurdo o governador, Wilson Martins, continuar com a destruição da nossa biodiversidade, especialmente, na região da Serra Vermelha. Pior ainda é manter o atual secretário de meio ambiente, Dalton Macambira.



Veja a reportagem na íntegra exibida pela Rede Globo de Televisão.

De todos os biomas brasileiros a mata Atlântica é o mais ameaçado. Tem apenas cerca de 7% de sua cobertura original. O desmatamento é proibido, mas no Piauí as carvoarias desrespeitam a lei.

JOSÉ RAIMUNDO

O Jornal da Globo inicia hoje a exibição da primeira reportagem da nossa participação no Globo Natureza, série que nasceu do sucesso do Globo Amazônia. Mas nosso olhar sobre problemas ambientais vai agora além da Amazônia. A reportagem desta segunda-feira (10) trata da destruição da Mata Atlântica no Piauí, para a produção de carvão



O som da motosserra é o que mais se ouve nas matas do sul do Piauí. Não sabem nem poupar o pobre jumento do peso excessivo.

Nos fornos sofrem os trabalhadores. Proteção, só a do capacete. Nada para suportar a fumaça e a alta temperatura. “É quente demais! Não tem outro trabalho, tem que fazer o que tem", conta o carvoejador Gisley Omélio.

E vai tudo pro fogo. Até as espécies ameaçadas de extinção. A produção oficial chega a dez mil toneladas de carvão por mês.


Mas segundo os ambientalistas, a mesma quantidade é produzida pelos fornos clandestinos.

Morro Cabeça no Tempo é o nome do município que concentra a maior parte das carvoarias.

Tem menos de cinco mil habitantes, é o menor da região e um dos mais pobres do Nordeste.

"Se você tivesse vindo aqui nos anos 90, o clima era outro, bem mais agradável, bem mais fresco, dava pra viver muito bem. E hoje a gente percebe que é muito quente", observa a professora Luzia Luz Neto.

As consequências já são visíveis. A maior lagoa da região encolheu 30%. Rios estão secando, nascentes desapareceram. Uma área, por onde o vaqueiro Claudionor Ribeiro passava todos os dias, era um brejo que matava a sede da boiada e do vaqueiro. Ele conta até onde chegava a água antes da seca dos rios. “Às vezes na capa da cela e quando ficava mais rasa, nas patas do cavalo. E a gente, se precisasse, só fazia abaixar na cela e beber”.

Na região da Serra Vermelha, de grande importância ambiental, três biomas se encontram no mesmo lugar: caatinga, cerrado e mata Atlântica.
De todos os biomas brasileiros a mata Atlântica é o mais ameaçado. Tem apenas cerca de 7% de sua cobertura original. Por isso, qualquer desmatamento é proibido, nenhuma árvore pode ser derrubada. Mas no Piauí as carvoarias desrespeitam a lei e com a conivência de quem deveria proteger a floresta.

Elas têm licença de funcionamento dada pela Secretaria Estadual do Meio Ambiente. Mesmo as instaladas dentro da mata Atlântica.

Ao Ibama cabe fiscalizar. O único escritório do órgão no local tem dois fiscais e uma área do tamanho do estado de Sergipe pra dar conta.

"Tem muita produção ilegal e o Ibama não dá conta. Dois servidores não dá pra fazer. Muito do consumo das grandes siderúrgicas chega lá como legal, mas de produtores ilegais que não estão licenciados a fazer carvão e fazem carvão e vendem para terceiros", fala o analista ambiental do Ibama Hamilton Cavalcanti Júnior.

A produção do Piauí - a legal e a ilegal - carrega cerca de 15 caminhões por dia. O carvão viaja quase dois mil quilômetros praticamente sem barreiras nas estradas.

O polo siderúrgico de Sete Lagoas, em Minas Gerais é o destino de todo o carvão que sai do Piauí. Muitos dos fornos - que produzem ferro gusa - se alimentam da destruição das matas nativas.

Das 61 indústrias que funcionam na região, menos de dez consomem carvão de procedência legal. Uma delas começou há 15 anos a plantar sua própria floresta. Só em uma fazenda tem 21 mil hectares de eucalipto.

"O mundo hoje está exigindo receber ferro gusa verde, de floresta plantada, que tem certificação de floresta plantada, o mundo hoje está exigindo isso", explica o diretor de empresa Antônio Tarcísio Andrade.

Para o sindicato das indústrias, a saída é a nova lei florestal do estado de Minas que vai obrigar as empresas a consumir carvão vegetal apenas de floresta plantada.

A nova lei mineira estabelece um prazo: a partir de 2017, 95% do carvão consumido pelas indústrias de ferro gusa deverão ser de floresta plantada. Até lá ainda vamos ouvir muito barulho de motosserra nas matas nordestinas.

A Secretaria Estadual de Meio Ambiente do Piauí não reconhece a área onde estão instaladas as carvoarias como mata Atlântica.

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Serra Vermelha ameaçada pelos interesses políticos

No sul do Piauí está localizada a Serra Vermelha, a qual possui uma importante floresta brasileira, que é considerada um ecótono, com presença de três biomas: caatinga, mata altântica e cerrado. Estudos do Ministério do Meio Ambiente – MMA apontam que a região é uma área prioritária para a preservação, e existia na época da ex-ministra, Marina Silva, o interesse por parte do MMA de se criar mais uma Unidade de Conservação no Brasil, mas o governador do Piauí, Wellington Dias, vetou a criação do Parque Nacional, juntamente com o ICMbio favorecendo novamente as inúmeras carvoarias.

A reunião para decidir o futuro da Serra Vermelha foi realizada a portas fechadas na sede do governo do Piauí, nesta última segunda-feira (08), com a participação do governador, IBAMA, e do presidente do ICMbio, Rômulo Melo. Na pauta estavam a Serra Vermelha, revisão do mapa da mata atlântica no Piauí e da criação do projeto de conservação do peixe-boi no litoral piauiense.

O governador está fazendo manobras para evitar a criação do Parque, sendo que na primeira delas ele deseja retirar o Piauí da Mata Atlântica, e a outra é fazer com que o presidente Lula assine um decreto, no próximo dia 05 de março, que amplia o Parque Nacional Serra das Confusões em 193 mil hectares, com isso deixará de fora mais de 300 mil hectares da Serra Vermelha, beneficiando assim, empresários que devastam terras públicas para a produção de carvão destinados as siderúrgicas e estimulando o trabalho escravo.

A região continua sendo desmatada, pois a fiscalização é insuficiente e existe má vontade dos órgãos competentes em proteger a biodiversidade da região. Além da grande repercussão negativa na mídia nacional e internacional o governo insiste em entregar a área para grandes empresas destruidoras, como é o caso da JB Carbon, cujo projeto Energia Verde foi paralisado pela Justiça Federal. O fato comoveu a sociedade brasileira, mas projetos parecidos podem voltar ameaçando a maior parte da floresta.

O movimento ambiental no país tem se mobilizado e apoiado a criação do Parque Nacional com uma campanha em defesa da Serra Vermelha, organizada pela Rede Ambiental do Piauí e importantes ONGs como a Fundação Rio Parnaíba. Mas o movimento ambiental teme pelo pior, pois o governador do Piauí foi financiado na última eleição pelo ramo da siderurgia e está comprometido com os interesses destas empresas. O fato pode ser comprovado nas contas de campanha política no site do TSE, onde o governador do PI recebeu 150 mil reais da Companhia Siderúrgica Nacional - CSN. A criação da UC fere os interesses de grandes empresas poluidoras ligadas ao ramo.

A região abriga diversas espécies ameaçadas de extinção a exemplo do primata bugio, da anhuma e da onça pintada, e com a não criação do Parque a floresta pode desaparecer ainda mais depressa.

Por Dionísio Neto
Rede Ambiental do Piauí – REAPI

O EMBALO DA SUZANO : VENENO NAS CHAPADAS DE ANAPURUS, BAIXO PARNAIBA MARANHENSE

O EMBALO DA SUZANO : VENENO NAS CHAPADAS DE ANAPURUS, BAIXO PARNAIBA MARANHENSE

Dado o atual senso comum-bizarro que predomina no e domina o processo social e econômico no Brasil e, por emenda parlamentar, no Maranhão também, quem quer lucrar com seus projetos deve ir no embalo, seja embalado pelo canto das sereias ou dos cisnes que hipnotizam ou suavizam os ouvintes ou os dançantes, ou seja embalado na nova linha de papéis da Suzano Papel e Celulose.

"Os embalos de sábado a noite continuam" nas esferas locais, estaduais, regionais e nacionais e por essa razão a Suzano se cobre de razão ao cobrar do governo do Maranhão que as suas licenças de desmatamento na região Tocantina e na região dos Cocais disparem o mais rápido possível, senão ela vai disparar rapidamente para o estado Tocantins com sua fábrica de celulose, onde se obtém com mais facilidade as licenças ambientais.

As áreas, que a Suzano pretende desmatar ou já desmata no Baixo Parnaiba maranhense, cerca de 40 mil hectares em Urbano Santos, Anapurus e Santa Quitéria, foram sacramentadas no mês de maio de 2009 pela então secretária de meio ambiente Telma Travincas numa só canetada. Só mesmo a Suzano, a secretaria de meio ambiente do Maranhão e o Fórum em Defesa do Baixo Parnaiba sabem que essas licenças existem.

A sociedade civil, em sua maior parte, desconhece quem assinou e quais áreas serão desmatadas. Esse foi o teor da conversa em Currais, município de Mata Roma, e Campestre, município de Anapurus. O senhor Euclides, que toma conta de uma área do senhor Garreto, relatou que nada sabia de desmatamento da Suzano naquela parte da Chapada. O Maciel, seu neto, fora informado por acaso que tratores estavam parados na comunidade de Veredas prontos para o abate do Cerrado. A Suzano pouco informa. O senhor Valcimar informou que funcionários da Suzano deixaram pacotes de veneno na Chapada e quando chove esses pacotes explodem soltando veneno para todo lado. As pessoas que coletam bacuri e pequi na Chapada correm riscos desconhecidos, como frisou um dos netos do senhor Euclides.

A Suzano quer plantar 60 mil hectares de eucalipto na região tocantina e região sudoeste do Maranhão. A empresa bateu esse número faz tempo e devia estar preparada para as costumeiras contrariedades do licenciamento ambiental. Contudo, ela vai no embalo como acontece no Piaui onde o governo conseguiu que o Instituto Chico Mendes revisse as áreas de Mata Atlântica no estado.

Mayron Régis, assessor Fórum Carajás

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Parque Nacional da Serra Vermelha é vetado pelo governador do PI e ICMBIO

Governador do Piauí e o Ministro do Meio Ambiente através do ICMBIO, vetaram a criação do Parque Nacional da Serra Vermelha que estava previsto a sua efetivação desde a época da ex-ministra Marina Silva. Como é ano eleitoral e o governador já foi financiado na última eleição de 2006 pelo ramo da siderurgia, segundo o TSE, e ele está agora liquidando a conta da campanha, pois mais de 300 mil hectares de mata atlântica, caatinga e cerrado poderão se transformar novamente em carvão vegetal. Um verdadeiro GOLPE contra a biodiversidade do nordeste. O complô foi todo montado nesta segunda-feira dia 08 de fevereiro de 2010, no Palácio de Karnak, sede do governo, com grande presença da mídia. Mas os ambientalistas do piauí estiveram lá, mesmo sem serem convidados e censurados pelo governo realizaram protestos.



Vejam a repercussão da imprensa local.